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    Guerra de Israel: Estados Unidos vetam resolução dos Emirados Árabes Unidos

    Documento pedia cessar-fogo imediato na Faixa de Gaza; EUA disseram que medida seria "perigosa"

    Reunião do Conselho de Segurança da ONU
    Reunião do Conselho de Segurança da ONU 24/10/2023 REUTERS/Shannon Stapleton

    Da CNN

    Os Estados Unidos vetaram a resolução dos Emirados Árabes Unidos sobre a guerra de Israel no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta sexta-feira (8).

    Confira o resultado da votação:

    • 13 países votaram a favor (incluindo o Brasil);
    • 1 país votou contra (Estados Unidos);
    • 1 país se absteve (Reino Unido).

    Ao todo, 97 nações “copatrocinaram”, ou seja, assinaram em conjunto, o texto dos Emirados Árabes Unidos, incluindo o Brasil.

    O documento citava “preocupação grave com a situação humanitária catastrófica na Faixa de Gaza” e com o “sofrimento da população civil palestina”, pedindo cessar-fogo humanitário imediato, bem como a libertação imediata e incondicional de todos os reféns.

    O representante dos EUA afirmou após a votação que o cessar-fogo proposto seria “irrealista e perigoso”, possibilitando ao Hamas se reorganizar e praticar mais atos de violência. Além disso, destacou que sugestões norte-americanas para a resolução foram ignoradas.

    Nesta semana, a representação dos Emirados Árabes Unidos na ONU destacou: “A situação na Faixa de Gaza é catastrófica e quase irreversível. Não podemos esperar. O Conselho precisa de agir de forma decisiva para exigir um cessar-fogo humanitário”.

    Mais cedo nesta sexta, a diplomacia brasileira na ONU destacou que é necessário “fazer o que estiver ao nosso alcance para parar essa catástrofe humanitária”.

    “O fracasso nesta tarefa resultaria provavelmente um cenário em que a autoridade e a legitimidade do Conselho se desgastariam ainda mais, e [o Conselho] provaria a sua incapacidade de cumprir os seus deveres de acordo com a Carta das Nações Unidas”, ressaltou o embaixador brasileiro.

    A resolução seria uma resposta à invocação do Artigo 99 da Carta das Nações Unidas pelo secretário-geral da ONU, Antonio Guterres. Foi a primeira vez em décadas que o artigo foi invocado.

    O dispositivo pode ser acionado pelo secretário-geral quando há situações que podem ameaçar a manutenção da paz e da segurança internacionais. A ferramenta é uma forma de Guterres pressionar o Conselho de Segurança a pedir por um cessar-fogo.

    O conflito no Oriente Médio é um dos temas mais vetados da história do órgão, e a dificuldade de se chegar a um consenso tem causado frustração na comunidade internacional, levantando questões sobre o papel do Conselho.

    Embaixador de Israel fala contra cessar-fogo

    O embaixador de Israel nas Nações Unidas disse ao Conselho de Segurança nesta sexta-feira que pedir um cessar-fogo na Faixa de Gaza apenas prolongaria a guerra, e que a única opção para a paz é eliminar o Hamas.

    Gilad Erdan começou o discurso criticando Antonio Guterres e a invocação do Artigo 99, dizendo que apesar das guerras na Ucrânia, no Iémen e na Síria nos últimos anos, nenhum conflito provocou a mesma resposta por parte do secretário-geral.

    “Apesar do imenso impacto global de outros conflitos e das ameaças muito mais prementes à paz e à segurança internacionais, a guerra defensiva de Israel contra o Hamas — uma organização terrorista designada — foi o catalisador para a ativação do Artigo 99”, destacou.

    “A ironia é que a estabilidade regional e a segurança de tanto os israelenses como os habitantes de Gaza só podem ser alcançados quando o Hamas for eliminado, nem um minuto antes. Portanto, o verdadeiro caminho para garantir a paz é apenas através do apoio à missão de Israel, absolutamente não apelando a um cessar-fogo”, alegou Erdan.

    Ele também culpou o Hamas por quebrar o acordo de trégua diversas vezes. Durante a pausa, ele disse que foram lançados foguetes e que os parâmetros do acordo de libertação de reféns – incluindo que todas as mulheres e crianças fossem libertadas e que as crianças não fossem separadas dos seus filhos – não foram cumpridos.

    *publicado por Tiago Tortella, da CNN