Imprensa internacional repercute designação do CV e PCC como terroristas

Medida anunciada por Marco Rubio prevê designação como Organizações Terroristas Estrangeiras a partir de 5 de junho

Polianne Lima, da CNN Brasil
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A designação das facções brasileiras CV (Comando Vermelho) e PCC (Primeiro Comando da Capital) como "Terroristas Globais Especialmente Designados" pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, anunciada na quinta-feira (28), foi destaque na imprensa internacional.

Jornais americanos como The New York Times e The Washington Post repercutiram a decisão do governo Trump destacando a atuação das duas organizações no narcotráfico. Veículos como Al Jazeera e France 24 também destacaram o anúncio.

O comunicado, assinado pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirma também que os EUA pretendem designar os dois grupos criminosos como Organizações Terroristas Estrangeiras a partir de 5 de junho.

"Sua influência e redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras do Brasil, por toda a nossa região e para dentro do nosso país", diz o informe americano.

O jornal The New York Times fala sobre a influência do senador Flávio Bolsonaro (PL) na decisão: "Após nova pressão dos Bolsonaros, EUA classificam gangues brasileiras como grupos terroristas", destaca a manchete da reportagem.

"A medida surge poucos dias depois de dois dos filhos do Sr. Bolsonaro, um dos quais planeja se candidatar à presidência ainda este ano, terem visitado o Sr. Trump na Casa Branca", relata o veículo.

Após se encontrar com o presidente Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca, Flávio afirmou na terça-feira (26) que pediu ao presidente americano que as duas facções fossem classificadas como organizações terroristas.

A matéria relembra a pressão feita pelos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro sobre o governo Trump pedindo a medida, ressaltando o apoio de Jair ao líder americano.

O The Washington Post apontou que o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital são as "duas maiores quadrilhas de narcotráfico do Brasil"

Segundo o jornal, apesar de Flávio Bolsonaro ter feito o pedido, a candidatura dele à Presidência "está em risco depois que ele admitiu ter recebido dinheiro de um banqueiro desonrado".

O Post também pontuou que Lula se disse contra a designação anteriormente, afirmando que se trataria de uma "interferência para favorecer seu rival eleitoral".

O veículo Al Jazeera, com sede no Catar, apontou a medida como uma " iniciativa do presidente Donald Trump para confundir a distinção entre atividades criminosas e terroristas".

"[...] a decisão de designar dois grupos criminosos brasileiros como organizações criminosas provavelmente causará grande repercussão na política do país sul-americano, onde está em curso uma acirrada eleição presidencial", ressaltando também as eleições de outubro.

A reportagem do France 24 relembra que os EUA tomaram a mesma decisão com outros países. "Os Estados Unidos começaram a designar gangues criminosas – como os cartéis de Sinaloa e Jalisco Nova Geração, no México, e o Tren de Aragua, na Venezuela – como terroristas quando Trump assumiu o cargo em janeiro de 2025."

O argentino La Nacion também repercutiu a notícia, destacando o presidente Lula: "Os Estados Unidos declaram as facções criminosas brasileiras PCC e CV como organizações terroristas, apesar da oposição de Lula."

Quais as consequências da medida?

As duas classificações geram congelamento de ativos, mas possuem algumas diferenças.

Com a classificação de Terroristas Globais Especialmente Designados, qualquer transação ou negociação por pessoas dos EUA ou dentro dos Estados Unidos em bens ou "interesses em bens" bloqueados é proibida, incluindo, fazer ou receber qualquer contribuição de fundos, bens ou serviços para ou em benefício de indivíduos ou entidades atingidos pela classificação, por exemplo.

Com a classificação de Organização Terrorista Estrangeira, torna-se ilegal para uma pessoa nos Estados Unidos ou "sujeita à jurisdição dos EUA" fornecer, conscientemente, apoio material ou recursos ao grupo designado.

Além disso, integrantes ou "representantes" estrangeiros de uma Organização Terrorista Estrangeira ficam proibidos de entrar nos Estados Unidos e, em "certas circunstâncias", podem ser deportados.

*com informações de Danilo Moliterno, Duda Cambraia, Jussara Soares e Vinícius Murad, da CNN, Brasília e São Paulo