Inteligência dos EUA indica que Rússia prepara ação para justificar invasão da Ucrânia

Serviços especiais russos estariam preparando ações de provocação contra as próprias forças russas numa tentativa de culpar a Ucrânia

Natasha BertrandJeremy Herbda CNN

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Os EUA têm informações indicando que a Rússia posicionou um grupo de agentes para conduzir uma operação de bandeira falsa na Ucrânia oriental, de acordo com o relato de uma autoridade dos EUA à CNN na sexta-feira (14). A intenção seria criar um pretexto para uma invasão.

A fonte afirmou que os Estados Unidos têm provas de que os agentes são treinados em guerra urbana e no uso de explosivos para realizar atos de sabotagem contra as próprias forças representando a Rússia.

A alegação combina com o que foi revelado pelo Ministério da Defesa da Ucrânia na sexta-feira. De acordo com a declaração do ministério, os serviços especiais russos estão preparando ações de provocação contra as próprias forças russas numa tentativa de culpar a Ucrânia.

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O conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Jaime Sullivan, também sugeriu o mesmo durante uma coletiva com repórteres na quinta-feira (13).

“Nossa comunidade de inteligência obteve informações agora apoiadas por outras fontes de que a Rússia está preparando o terreno para ter o pretexto para uma invasão”, afirmou Sullivan na quinta-feira.

“Vimos esse roteiro em 2014. Estão preparando novamente o mesmo roteiro e vamos ter, o governo terá, mais detalhes sobre o que vemos como potencial imposição de pretexto. E vamos compartilhar isso com a imprensa durante as próximas 24 horas”.

O Ministério da Defesa da Ucrânia declarou na sexta-feira que “as unidades militares do país agressor e seus satélites recebem ordens para se preparar para tais provocações”.

A conclusão dos serviços de informação dos EUA surge após uma semana de reuniões diplomáticas entre autoridades russas e ocidentais que trataram da concentração de dezenas de milhares de militares russos ao longo da fronteira da Ucrânia. Mas as conversações não conseguiram quaisquer avanços, já que a Rússia não se comprometeu a diminuir a pressão e os representantes norte-americanos e da OTAN disseram que as exigências de Moscou (incluindo que a OTAN nunca admita a Ucrânia na aliança) não eram viáveis.

Vários websites do governo da Ucrânia foram atingidos por um ciberataque na sexta-feira, o que foi considerado por autoridades europeias como um aumento ainda maior das tensões na região.

A autoridade norte-americana disse que o governo Biden acredita que a Rússia poderia estar preparando uma invasão à Ucrânia “que pode resultar em violações generalizadas dos direitos humanos e crimes de guerra caso a diplomacia não cumpra os seus objetivos”.

“Os militares russos iniciam as atividades de planejamento várias semanas antes de uma invasão militar, que poderia começar entre meados de janeiro e meados de fevereiro”, afirmou. “Vimos o mesmo roteiro em 2014 com a Crimeia”.

Na ocasião, agentes com poder de influência russos começarem a angariar apoio do seu povo para uma intervenção, disse a fonte. Para isso, eles enfatizaram as narrativas sobre a deterioração dos direitos humanos na Ucrânia e o aumento da militância dos líderes ucranianos.

“Durante dezembro, o conteúdo linguístico russo nas redes sociais, abrangendo as três narrativas principais, subiu para uma média de quase 3,500 posts por dia, um aumento de 200% em relação à média diária em novembro”, explicou.

Autoridades dos EUA, da OTAN e da Europa fizeram reuniões de alta cúpula nesta semana com as contrapartes russas. No final das três reuniões de quinta-feira, as duas partes saíram pessimistas. O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia sugeriu que as conversações tinham chegado a um “beco sem saída” e não tinha visto qualquer razão para continuar com as reuniões. Já um alto funcionário dos EUA alertou que os “tambores de guerra já soavam alto” após as sessões diplomáticas.

O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergey Lavrov, disse na sexta-feira (14) que a Rússia acredita que a OTAN aumentará a sua atividade ao longo da fronteira com a Ucrânia se Moscou não obedecer às exigências do Ocidente.

“Embora as nossas propostas tenham por objetivo reduzir o confronto militar, desintensificar a situação na Europa como um todo, precisamente o oposto está acontecendo no Ocidente. Os membros da OTAN estão construindo a sua força e reforçando a aviação. Nos territórios diretamente vizinhos à Ucrânia, no Mar Negro, a escala dos exercícios aumentou muitas vezes recentemente”, pontuou Lavrov.

Na sexta-feira, vários websites do governo ucraniano, incluindo o do Ministério dos Negócios Estrangeiros, foram alvo de um ciberataque com texto ameaçador que alertava os ucranianos para “terem medo e esperarem pelo pior”. O governo da Ucrânia disse que parecia que a Rússia estava por trás do ataque.

Uma fonte do Conselho de Segurança Nacional dos EUA disse que o presidente Joe Biden havia sido informado sobre o ataque. A fonte afirmou que os EUA ainda não tinham a quem atribuir o ataque, mas que “forneceriam a Ucrânia com qualquer apoio necessário para a recuperação”.

O principal diplomata da União Europeia, Josep Borrell, condenou o ciberataque, alertando para a “situação já tensa” na região.

Quando perguntado se atores governamentais ou não governamentais russos estavam por trás dos ataques, Borrell respondeu que, embora ele não quisesse “apontar dedos”, havia “uma certa probabilidade de onde vieram”.

James Frater, Joseph Ataman e Niamh Kennedy da CNN contribuíram para esta reportagem

Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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