Japão aumentará despesas militares para melhorar defesas aéreas e marítimas

Preocupações com China e Coreia do Norte levaram à adição de US$ 6,75 bilhões aos gastos na área

Um caça F-22 durante voo sobre a Base Aérea Kadena, no Japão, em 2009
Um caça F-22 durante voo sobre a Base Aérea Kadena, no Japão, em 2009 Reuters

Da Reuters*

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O Japão planeja adicionar US$ 6,75 bilhões (cerca de R$ 37,8 bilhões na cotação atual) aos seus gastos militares anuais já recordes em uma corrida para reforçar suas defesas aéreas e marítimas, à medida que se torna mais preocupado com as ameaças representadas pela China e Coreia do Norte.

O governo do primeiro-ministro Fumio Kishida aprovou na sexta-feira (26) o desembolso como parte de um orçamento suplementar. Embora esses acréscimos aos gastos com defesa sejam comuns, os 774 bilhões de ienes que os legisladores deverão aprovar é a maior quantia de todos os tempos, de acordo com o Ministério da Defesa do Japão.

“À medida que o ambiente de segurança ao redor do Japão piora a uma velocidade sem precedentes, nossa tarefa urgente é acelerar a implementação de vários projetos”, disse o Ministério da Defesa em sua proposta de gastos.

A injeção de dinheiro permitirá que o Japão atualize, três meses antes do planejado, os lançadores de mísseis terra-ar em ilhas na orla do Mar da China Oriental e as baterias de mísseis Patriot PAC-3 em outros lugares que são a última linha de defesa contra qualquer ogiva norte coreana que se aproxime do país.

A pressão crescente da China sobre o Taiwan está causando nervosismo no Japão porque o controle da ilha por Pequim levaria as forças chinesas a cerca de 100 quilômetros do território japonês e ameaçaria as principais rotas comerciais marítimas que abastecem o Japão com petróleo e outros produtos. O movimento também daria à China bases de acesso irrestrito ao oeste do Oceano Pacífico.

Os gastos extras também permitirão ao Japão adquirir mais rapidamente mísseis anti-submarinos, aviões de patrulha marítima e jatos de carga militar, disse o Ministério da Defesa.

O gasto militar adicional ocorre depois que o partido governante de Kishida incluiu em suas promessas eleitorais de outubro uma meta de quase dobrar os gastos com defesa para 2% do Produto Interno Bruto (PIB).

Por décadas, a nação pacifista manteve uma política de manter os gastos com defesa dentro de 1% do PIB, diminuindo as preocupações tanto em casa quanto no exterior sobre qualquer renascimento do militarismo que levou o Japão à Segunda Guerra Mundial.

O plano de gastos adicionais aprovado pelo governo de Kishida na sexta-feira também inclui pré-pagamentos a empresas de defesa por equipamentos para ajudá-los a lidar com interrupções da pandemia de Covid-19 que afetaram suas finanças.

Os gastos suplementares propostos combinados com os gastos com defesa aprovados para o ano até 31 de março chegam a cerca de 1,3% do PIB japonês.

*(Texto traduzido. Clique aqui para ler o original, em inglês)

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