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    Juventude e empoderamento público pelo clima: o que esperar da COP26 nesta sexta

    No pavilhão do Brasil, debate será focado no tema "Amazônia Real", com reunião entre secretários dos estados do Norte

    Lideranças jovens estarão o foco da COP26 nesta sexta-feira (5)
    Lideranças jovens estarão o foco da COP26 nesta sexta-feira (5) Divulgação/UNclimatechange

    Anna Gabriela Costada CNN

    Em São Paulo

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    Elevar a voz dos jovens e demonstrar o papel crítico do empoderamento público e da educação na ação climática. Estes serão os focos do quinto dia da 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP26), realizada em Glasgow, na Escócia, nesta sexta-feira (5).

    No centro dos debates, jovens especialistas em clima discutem desafios e soluções na conferência. O evento apresentará a declaração global da juventude, suas ações climáticas e apelos à ação em âmbito global de líderes da COP26.

    O encontro desta sexta-feira visa facilitar um diálogo entre líderes jovens e especialistas de alto nível, compartilhando experiências e histórias de mudança. O mundo poderá acompanhar a troca de experiências entre gerações, visando ampliar a escala da ação climática.

    O engajamento público também estará em foco no quinto dia da conferência; uma das sessões da COP26, nesta sexta, reunirá vozes de todo o mundo que compartilharão suas jornadas pessoais em relação à ação climática por meio do engajamento público.

    São esperados ministros da Educação, ministros responsáveis por mudanças climáticas e jovens para discutir a importância da educação na criação de futuros positivos para o clima. Na pauta das reuniões estarão os compromissos sobre educação e ações pelo clima.

    Comitiva brasileira

    Nesta sexta-feira (5), o dia será dedicado ao tema “Amazônia Real” no Pavilhão do Brasil na COP26, com a promoção de diálogo com secretários de Meio Ambiente de estados da Amazônia.

    Participam do debate: Eduardo Taveira, secretário de Meio Ambiente do Amazonas; Israel Milani, secretário de Meio Ambiente do Acre; Josiane Andreia Ferreira, secretária de Meio Ambiente do Amapá, e Mauro O´ de Almeida, secretário de Meio Ambiente do Pará.

    A secretária de Meio Ambiente do Mato Grosso, Mauren Lazzaretti, será a moderadora do debate.

    O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, participa do evento “Offshore Wind as an ocean-based solution for the energy transition and blue economy”, em Glasgow.

    Relembre os destaques dos outros dias da COP26

    Dia 1: Biden pede desculpas; índia faz promessas

    No primeiro dia de COP26, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, pediu desculpas a seus companheiros líderes mundiais pelo fato de os Estados Unidos terem se retirado do Acordo de Paris sob a administração Trump.

    “Acho que não deveria me desculpar, mas peço desculpas pelo fato de que os Estados Unidos – o último governo – retirou-se dos Acordos de Paris e nos colocou em uma sinuca de bico”, disse Biden em Glasgow.

    Já o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, ganhou as manchetes na segunda-feira ao anunciar uma meta de emissões líquidas zero, prometendo que a Índia se tornará neutra em carbono até 2070.

    Embora tenha sido um grande anúncio, já que a Índia ainda não definiu uma data para sua ambição de zero líquido, a meta de 2070 é uma década mais tarde do que a da China, e duas décadas depois que o mundo como um todo precisa atingir as emissões de zero líquido para evitar que as temperaturas subam além de 1,5ºC acima dos tempos pré-industriais.

    Dia 2: “Fim do desmatamento”

    O compromisso de mais de 100 países com o fim do desmatamento até 2030 foi o destaque do segundo dia da cúpula da COP26.

    Uma declaração assinada por 105 países, incluindo o Brasil, sela o comprometimento por ações coletivas para deter e reverter a perda florestal e a degradação do solo até 2030. Ao mesmo tempo, o documento destaca o acordo para o desenvolvimento sustentável e a promoção de transformações rurais que sejam inclusivas.

    Dia 3: Corte de verba para combustíveis e US$ 9 bi para florestas

    Já nesta quarta-feira (3), o terceiro dia da COP26, o tema principal foi investimento financeiro.

    Entre os temas discutidos na reunião foi apresentado o corte de verbas para combustíveis fósseis, e um investimento de US$ 9 bilhões (cerca de R$ 50 bilhões) em um fundo no Departamento de Estado dos Estados Unidos para financiar projetos de conservação de florestas com países em desenvolvimento ao redor do mundo.

    No domingo (31), os países do G20 reafirmaram o compromisso com o financiamento do clima, que inclui o fornecimento de US$ 100 bilhões (cerca de R$ 568 bilhões) por ano aos países em desenvolvimento até 2025.

    Dia 4: Compromisso de países pelo fim do uso de carvão

    Durante a COP26, nesta quinta-feira (4), 77 países se comprometeram a acabar com o uso do carvão. O Brasil não se juntou à lista, pois não tem contribuição forte nas emissões por carvão.

    Os líderes e representantes presentes se uniram para discutir a aceleração da transição global para a energia limpa no quarto dia do evento.

    Apesar de a China, Índia e Estados Unidos serem os maiores emissores de carvão do mundo, os três países também não entraram na aliança. Politicamente para eles, essa ação é muito complicada e sofre resistência forte, na análise de Lourival Sant’Anna, analista de internacional da CNN.

    Compromisso firmados pela redução do gás metano

    Para reduzir as emissões do gás em 30% até 2030, 103 países se juntaram em um esforço liderado pelos Estados Unidos e pela União Europeia (UE). O grupo de signatários do “Compromisso Global de Metano” inclui o Brasil, um dos cinco maiores emissores mundiais de metano.

    Na avaliação do embaixador Paulino Franco de Carvalho Neto, secretário de Assuntos Políticos Multilaterais do Itamaraty, as metas anunciadas pelo Brasil na COP26 exigirão um grande esforço por parte do governo federal.

    Fizemos um anúncio muito importante e ambicioso, que é o aumento do nosso percentual de redução de emissões de gases de efeito estufa. Passamos de 43% para 50%, tomando como base o ano de 2005. Ou seja, em 2030, teremos que emitir metade do que emitimos em 2005

    Embaixador Paulino Franco de Carvalho Neto, secretário de Assuntos Políticos Multilaterais do Itamaraty

    Para o especialista, é possível reduzir 50% da emissão dos gases de efeito estufa antes de 2030, com medidas efetivas de combate ao desmatamento. “É um problema que temos que enfrentar e, se enfrentarmos com êxito e contivermos o desmatamento, com certeza alcançaremos essa meta até com alguma folga”, disse.

    O cumprimento da promessa poderá trazer impactos significativos para o setor de energia. Segundo analistas, consertar a infraestrutura de petróleo e gás com vazamentos é a maneira mais rápida e barata de reduzir as emissões de metano.

    Enquanto os Estados Unidos são o maior produtor mundial de petróleo e gás, a UE é o maior importador de gás. Países como China, Rússia e Índia, que estão entre os maiores emissores de metano, não assinaram o compromisso.

    Na segunda-feira (1º), o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, apresentou as metas do Brasil na cúpula, que incluem a redução de 50% das emissões de gases de efeito estufa até 2030 e a neutralização das emissões de carbono até 2050.

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