La Niña atingirá a Austrália e aumentará risco de enchentes e ciclones

Aumento das chuvas acende alerta para enchentes e ciclones tropicais

Enchente em Sydney, em março de 2021, após dias seguidos de chuva
Enchente em Sydney, em março de 2021, após dias seguidos de chuva Flavio Brancaleone/Getty Images

Angela Dewanda CNN

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Os australianos estão se preparando para um verão úmido e com ventos fortes pelo segundo ano consecutivo, de acordo com previsões de meteorologistas na terça-feira (23) de que um evento climático La Niña se formou no Oceano Pacífico.

O La Niña deve impactar o Norte, Centro e Leste do país, incluindo sua maior cidade, Sydney, durante o final da primavera e início do verão do Hemisfério Sul, possivelmente até o outono, disse o Escritório Australiano de Meteorologia (BOM, na sigla em inglês).

Meteorologistas de todo o mundo, incluindo da Austrália, alertaram por meses que as condições do La Niña estavam se formando no Oceano Pacífico, e o anúncio de terça-feira significa que partes do país estão em alerta para potenciais inundações e aumento dos ciclones tropicais.

“Em termos de ciclones tropicais, para o La Niña, tendemos a ver mais do que a média – provavelmente cerca de 65% de chance de ver mais do que o número médio de 11 ciclones tropicais”, disse o chefe do departamento de serviços climáticos operacionais, Andrew Watkins, em uma coletiva de imprensa.

As mesmas partes do país já têm solo úmido, rios cheios e altas captações de longos períodos de chuva.

“Qualquer chuva adicional aumenta o risco de inundações generalizadas, normalmente no sudeste da Austrália”, disse ele.

A notícia atrapalha os planos de milhões de australianos que planejam férias nas praias durante o período de verão do Natal, muitos dos quais só recentemente saíram de bloqueios durante a pandemia.

Entretanto, o La Niña traz algumas vantagens, incluindo temperaturas mais amenas durante o verão, que normalmente ficam bem acima dos 30°C.

“A boa notícia sobre o La Niña é que tende a reduzir o risco de incêndio florestal”, disse Watkins. “Pelo menos em termos dos grandes incêndios florestais que vimos há alguns anos, o risco é reduzido.”

O La Niña ocorre normalmente em intervalos entre alguns anos e uma década, e geralmente dura um ou dois anos, mas este se formou na sequência de outro.

O que é La Niña?

O La Niña faz parte de um ciclo natural denominado El Niño Oscilação Sul – ou ENOS – e ocorre quando a água fria se acumula na costa oeste do continente sul-americano.

Puxada por fortes ventos do Leste, a água fria surge a Oeste através do Pacífico, criando uma “língua fria”. Isso empurra águas mais quentes e um consequente sistema de alta pressão à sua frente. O sistema climático resultante – preenchido com ar quente e carregado de água – despeja uma chuva forte quando atinge a terra.

Seus impactos variam em diferentes partes do mundo.

Nos EUA, por exemplo, o La Niña normalmente traz condições mais úmidas e frias para o noroeste do Pacífico e planícies do Norte, mas traz condições mais secas e quentes do que a média para os estados do Sul, o que pode agravar a seca em algumas áreas.

Em termos da Austrália, as águas mais frias no Pacífico tropical, central e oriental, junto com ventos mais fortes e persistentes de Sudeste a Noroeste, ajudam a deslocar as nuvens para o Oeste, mais perto do país, explicou o BOM.

“O último La Niña significativo foi 2010-12. Este forte evento teve grandes impactos em toda a Austrália, incluindo os períodos de dois anos mais chuvosos da Austrália e inundações generalizadas”, disse Watkins.

Ligações com as mudanças climáticas

Ainda não se sabe até que ponto o aquecimento global pode ter contribuído para a intensidade do La Niña, com registros do evento remontando apenas a 60 anos.

El Niño e La Niña são eventos que ocorrem naturalmente como parte dos sistemas climáticos da Terra, mas as pesquisas estão começando a mostrar que o aumento das temperaturas globais pode diminuir ou alterar seus efeitos.

Um estudo de 2018 sobre as condições atmosféricas fez simulações das condições climáticas e descobriu que as mudanças climáticas podem aumentar a gravidade dos eventos climáticos decorrentes dos padrões do El Niño.

Fora de qualquer impacto sobre os furacões, a mudança climática pode significar que alguns padrões de temperatura mais antigos associados ao El Niño e La Niña não se aplicam mais.

Enquanto o La Niña tende a resfriar as temperaturas, o aquecimento global está acontecendo tão rapidamente que às vezes seus impactos são abafados.

Os padrões climáticos de longo prazo em toda a Austrália são notoriamente difíceis de prever e o BOM tem coletado evidências orais de australianos aborígenes para entender melhor os ciclos climáticos do continente.

Texto traduzido. Leia o original em inglês.

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