Líderes do Congresso dos EUA foram notificados antes dos ataques

Presidente da Câmara, líder da maioria no Senado e vice-presidente de inteligência estavam entre os notificados por Marco Rubio

Zachary Cohen, Manu Raju e Alayna Treene, da CNN
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O Secretário de Estado, Marco Rubio, notificou pelo menos alguns membros do "Grupo dos Oito" antes dos ataques no Irã - mas eles não receberam uma explicação detalhada sobre a justificativa legal, informaram várias fontes familiarizadas com o assunto à CNN.

Rubio e o Diretor da CIA, John Ratcliffe, fizeram um relatório classificado como sigiloso para os líderes do Grupo dos Oito no Congresso no início da semana, e alguns saíram dizendo que o governo deveria apresentar publicamente os argumentos para os ataques.

O presidente da Câmara, Mike Johnson, o líder da maioria no Senado, John Thune, e o vice-presidente do Comitê de Inteligência do Senado, Mark Warner, receberam um aviso antecipado, de acordo com fontes familiarizadas com o assunto.

No início desta semana, os membros do Grupo dos Oito — os principais legisladores de ambos os partidos que atuam nos comitês de inteligência do Congresso, bem como a liderança dos partidos — solicitaram ser notificados antes de quaisquer ataques.

Entenda a tensão entre Irã e Estados Unidos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar um ataque militar contra o Irã caso o país não negocie um novo acordo nuclear que "seja justo com todas as partes".

O líder americano disse que enviou uma "grande frota" para a região, incluindo o porta-aviões Abraham Lincoln e caças F-35.

Autoridades iranianas, por sua vez, refutaram a ideia de negociar sob ameaça dos Estados Unidos. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse que conversas só poderão ocorrer "em condições em que ameaças e demandas sejam deixadas de lado".

Araghchi também alertou que as Forças Armadas do Irã estão totalmente preparadas para responder “imediata e poderosamente” a qualquer agressão contra o território, o espaço aéreo ou as águas iranianas.

A escalada da tensão entre o Irã e os EUA neste ano teve início com a repressão aos protestos antigovernamentais no início de janeiro no país do Oriente Médio. A população iraniana se revoltou com a inflação desenfreada, tomando as ruas em manifestações contra o regime.

Trump alertou repetidamente que "atacaria com força total" se as autoridades iranianas reprimissem violentamente as manifestações, afirmando que o país estava "pronto e armado".

Durante os protestos, um bloqueio de internet foi imposto no país e mais de 5 mil manifestantes foram mortos, segundo grupos de direitos humanos.

Ali Shamkhani, conselheiro do líder supremo do Irã, afirmou que qualquer ataque dos Estados Unidos seria considerado o "início de uma guerra".