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    Livro revela as práticas empresariais de Trump e até pagamento em barras de ouro

    Obra também relata uma ameaça velada feita feita ao dono de uma revista que iria publicar o patrimônio líquido insuflado do ex-presidente dos EUA

    Jeremy Herbda CNN

    As práticas empresariais do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump incluíram alguns momentos espantosos, como o pagamento com barras de ouro que foram transportadas até seu apartamento na Trump Tower, em Nova York. É o que revela um livro a ser lançado pela repórter do “The New York Times” Maggie Haberman ao qual a CNN teve acesso.

    Haberman revela novos detalhes sobre as transações comerciais de Trump no mundo imobiliário em Nova York e vai além. Os trechos relatam uma ameaça velada feita ao dono de uma revista que iria publicar o patrimônio líquido insuflado dele e o fato de suas empresas terem lidado com a máfia em algumas transações.

    Em paralelo, outras práticas empresariais do ex-presidente dos Estados Unidos estão agora sob um escrutínio renovado e intenso com o anúncio, na quarta-feira (21), de uma ampla ação judicial do procurador-geral de Nova York contra Trump, alguns dos seus filhos e a sua empresa. A ação alega que o ex-presidente foi adepto de atividades financeiras fraudulentas para enriquecer.

    Num episódio surpreendente, a repórter e autora Haberman conta que Trump recebia ocasionalmente parcelas de pagamentos de aluguel em dinheiro. Certa vez, um locatário chegou a enviar a Trump uma caixa com dezenas de barras de ouro para cobrir uma parte do aluguel da garagem do edifício da General Motors, em Manhattan, comprado por Trump em 1998, de acordo com o livro.

    Trump disse aos assessores que não sabia o que fazer com as barras de ouro. Ele acabou chamando Matt Calamari, um ex-segurança que se tornou diretor operacional da Trump Organization, para colocar as barras num carrinho e levá-las até seu apartamento na Trump Tower. O destino das barras de ouro é desconhecido. Um advogado de Calamari recusou-se a comentar. Haberman escreve que Trump chamou o caso de “uma questão de fantasia”.

    O livro de Haberman, “Confidence Man: The Making of Donald Trump and the Breaking of America” (“Homem de Confiança: A criação de Donald Trump e a ruptura da América”, sem tradução no Brasil), deve ser lançado em 4 de outubro.

    Outros trechos trazem uma análise da jornada de Trump no mundo empresarial de Nova York, bem como de sua presidência e do rescaldo da sua derrota em 2020 para Joe Biden.

    Haberman, analista política da CNN, é uma repórter experiente baseada em Nova York que trabalhou também nos tabloides locais e depois cobriu as campanhas de 2016 e 2020 de Trump e o governo Trump para o “The New York Times”.

    Segundo ela, a situação financeira de Trump na sua empresa era muitas vezes mais precária do que as pessoas pensavam, o que foi confirmado por ex-funcionários.

    Numa ocasião, Trump teria pedido emprestado vários milhões de dólares a George Ross, executivo da Trump Organization. Em conversa com a autora, Ross reconheceu que emprestou dinheiro a Trump, mas insistiu que a quantia era para “cobrir uma situação que precisava de solução muito rápida” e não para pagar despesas com salários.

    Em outro episódio, Haberman escreve que Trump teria ameaçado revelar rumores de que Malcolm Forbes, o falecido proprietário da revista “Forbes”, era gay. Naquela época, a revista se preparava para relatar que o patrimônio líquido de Trump era muito inferior do que ele alegava publicamente.

    A autora escreve que funcionários da Trump Organization trabalhavam em silos, e muitas vezes não sabiam o que acontecia em outros departamentos da empresa.

    Quando o braço hoteleiro e de cassinos de Trump foi repreendido pela Comissão de Valores Mobiliários (SEC na sigla em inglês) por causa de uma declaração enganosa sobre seus resultados, Trump teria tido um envolvimento muito maior no caso do que foi revelado à época.

    O advogado de Trump à época, Jay Goldberg, culpou os responsáveis das empresas pelas projeções enganosas de 1999 e insistiu que Trump não estava envolvido no documento. Três anos depois do caso, reportagens continuavam afirmando que Trump não teria exercido um papel na declaração financeira que exagerava os rendimentos da empresa.

    Mas Haberman relata que um antigo consultor da empresa, Alan Marcus, contou que Trump fez anotações pessoalmente numa minuta da declaração e fez com que as projeções existentes fossem favoráveis a ele. Trump negou esse fato, de acordo com a autora.

    Numa entrevista com Haberman, Trump reconheceu que as suas transações comerciais em Nova York implicavam que, às vezes, ele tinha de interagir com a máfia, mas disse que ele não tinha exata noção disso à época.

    “Bem, qualquer pessoa que tenha construído algo em Nova York, independentemente de ter lidado com eles de forma indireta, ou sequer saber que eles existiam, sim, eles existiam”, afirmou Trump. “A gente lidava, tinha empresas contratadas e não dá para saber se eram da máfia ou controladas ou talvez não controladas [por ela], mas vou te contar que vencer concorrências é às vezes é muito duro. A gente consegue uma licitação e ela é desanimadora. E então não havia mais ninguém para concorrer.”

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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