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    María Machado, favorita nas primárias da Venezuela, segue em campanha apesar da proibição

    Frente de seus rivais por cerca de 40 pontos nas pesquisas, Machado continuou a fazer campanha mesmo após ser proibida de ocupar cargos públicos por conta de seu apoio às sanções dos EUA contra o governo de Nicolás Maduro

    María Machado concede entrevista à Reuters em Caracas
    María Machado concede entrevista à Reuters em Caracas 19/1/2023 REUTERS/Gaby Oraa

    Tibisay RomeroMircely Guanipada Reuters

    A candidata da oposição venezuelana María Corina Machado, primeira colocada nas primárias marcadas para domingo (22), viajou pelo país vestindo calça jeans, camiseta branca e tênis com o slogan “até o fim”, apesar da proibição de ocupar cargos públicos.

    À frente de seus rivais por cerca de 40 pontos nas pesquisas, Machado continuou a fazer campanha mesmo depois que o controlador-geral, em junho, a proibiu de ocupar cargos públicos por causa de seu apoio às sanções dos Estados Unidos contra o governo do presidente Nicolás Maduro.

    A oposição diz que a proibição é ilegal e o governo dos EUA transmitiu a Maduro que os vetos devem ser suspensos para todos os candidatos presidenciais da oposição até o final de novembro em troca de alívio das sanções, disse uma autoridade dos EUA na quarta-feira (18).

    Dois dos principais rivais de Machado desistiram por causa de suas próprias desqualificações para o pleito.

    A candidata diz que sua meta é remover Maduro do poder por meio de eleições pacíficas, justas e competitivas.

    “Esse é o meu objetivo”, disse Machado, de 56 anos, em uma entrevista recente na cidade central de Valência. “Tudo o que estamos fazendo é para isso, porque no final a Venezuela precisa mudar profundamente.”

    Não está claro o que aconteceria se Machado vencesse as primárias e não conseguisse se registrar para as eleições gerais devido à sua desqualificação.

    Machado disse que poderia pressionar o conselho eleitoral para permitir que ela se registrasse, enquanto outros argumentaram que seria necessário um mecanismo de sucessão.

    Ela tem se mostrado reticente em discutir um plano de apoio, disseram fontes políticas, e ainda não se sabe se a oposição aceitaria que Machado escolhesse um substituto.

    Alguns membros da oposição esperavam que um acordo eleitoral assinado esta semana entre a oposição e o governo incluísse a suspensão das proibições, mas isso não aconteceu.

    Na quarta-feira, o Tesouro dos EUA disse que está preparado para reverter a flexibilização das sanções petrolíferas se o governo de Maduro não tomar medidas como a suspensão das proibições e a libertação de prisioneiros que a oposição diz terem sido detidos injustamente.

    Machado, mãe de três filhos e engenheira industrial, é filha de um conhecido empresário que trabalhou para a gigante do aço Sivensa, que foi nacionalizada em 2010 pelo falecido presidente Hugo Chávez.

    Ela disse que planeja privatizar a empresa estatal de petróleo PDVSA e a empresa siderúrgica Sidor se vencer as eleições no próximo ano, além de reestruturar a dívida pública e buscar financiamento do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

    Suas duras críticas a Maduro levaram alguns membros do partido governista a dizer que Machado é de direita e despreza a classe trabalhadora.

    Machado diz que é uma liberal que se opõe à discriminação e que colocaria em prática um amplo plano de assistência social para os venezuelanos mais necessitados. A crise econômica do país levou cerca de 7,7 milhões de pessoas a migrarem.

    “A mensagem de María Corina é clara, até o fim. Queremos um país de progresso, de crescimento, um país onde tenhamos dinheiro em nossos bolsos”, disse Celso Garcia, um vendedor de comida de rua que participava de um comício de Machado em Maracay.

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