‘Não merecia morrer por US$ 20’, diz irmão de George Floyd ao Congresso dos EUA

Philonise Floyd falou ao comitê Judiciário da Câmara dos Deputados em audiência sobre 'práticas policiais e responsabilização das autoridades'

Philonise Floyd discursa durante funeral de George Floyd em Houston, no Texas
Philonise Floyd discursa durante funeral de George Floyd em Houston, no Texas Foto: Godofredo A. Vasquez -9.jun.2020/ Pool via Reuters

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Philonise Floyd, um dos irmãos de George Floyd, afirmou em audiência na Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, nesta quarta-feira (10), que seu irmão “não merecia morrer por vinte dólares”, em referência à suspeita de que ele teria usado uma nota falsa em um mercado de Mineápolis.

“Ele não merecia morrer por causa de vinte dólares. Eu estou perguntando para vocês: é isso que vale a vida de um homem negro? Vinte dólares? Isso é 2020. Já chega”, disse Philonise à comissão Judiciária da Câmara durante audiência sobre “práticas policiais e responsabilização das autoridades”.

Philonise afirmou aos deputados que as pessoas estão marchando nas ruas dos EUA e de vários outros países “para dizer que chega” e que é preciso mudar a atuação da polícia que, para ele, “tem que ser a solução, não o problema”.

“Se sua morte mudará o mundo para melhor, e eu acredito que irá, então ele terá morrido do jeito que viveu, e vocês garantirão que ele não tenha morrido em vão”, afirmou.

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A audiência

Presidente do comitê Judiciário da Câmara dos Deputados, Jerry Nadler, abriu a reunião falando na urgência de se pensar na reforma da atuação policial após a morte de Floyd. 

Nadler disse que os legisladores têm a obrigação de fazer tudo que puderem para realizar essa mudança e expressou suas condolências à Philonise pela perda de seu irmão.

No total, a audiência contará com 12 participantes, alguns presencialmente, e outros virtualmente, como o advogado da família de Floyd, Ben Crump, o chefe de polícia de Houston, Art Acevedo, e a presidente do Fundo de Defesa Legal da Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor (NAACP), Sherrilyn Ifill.

A morte de George Floyd, em 25 de maio, depois que um policial branco se ajoelhou em seu pescoço por quase nove minutos, foi a mais recente de uma série de assassinatos de homens e mulheres afro-americanos pela polícia que despertaram ira nas ruas dos EUA e novos pedidos por reformas.

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A audiência com Philonise Floyd acontece dias após membros do Partido Democrata apresentarem uma proposta de legislação para reformar o sistema de Justiça e a polícia americana.

A presidente da Câmara, Nancy Pelosi, disse que o Congresso “não pode se contentar com nada menos que uma mudança estrutural transformadora”.

Este projeto de lei é o esforço mais amplo nos últimos anos para reprimir em nível federal práticas policiais abusivas nos EUA, mas espera-se que ela enfrente forte resistência de republicanos, sindicatos e autoridades locais que não querem que Washington intervenha nessa questão.

“Onde você demoniza a polícia, eles param de se envolver com a comunidade. Se permanecermos com a polícia, será melhor para todos os americanos”, tuitou o congressista republicano Matt Gaetz na terça-feira.

(Com informações da CNN e da Reuters)

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