Prime Time

seg - sex

Apresentação

Ao vivo

A seguir

    O que você precisa saber sobre o drone militar dos EUA derrubado por caça russo

    O porta-voz do Kremlin disse que as relações entre a Rússia e os EUA estão em seu “ponto mais baixo” e em um “estado deplorável” após o incidente

    Drone MQ-9 Reaper da Força Aérea dos EUA em hangar na Base Aérea de Amari, Estônia
    Drone MQ-9 Reaper da Força Aérea dos EUA em hangar na Base Aérea de Amari, Estônia 01/07/2020REUTERS/Janis Laizans

    Da CNN Espanhol

    Os EUA divulgaram imagens do momento em que um avião russo despejou combustível em um drone americano sobre o Mar Negro na última terça-feira (14) – um confronto que provocou uma disputa diplomática e levou a uma corrida para recuperar algumas tecnologias altamente classificadas.

    A Casa Branca classificou as ações de Moscou como “inseguras, pouco profissionais e imprudentes”, enquanto o Ministério da Defesa da Rússia negou que sua aeronave tenha entrado em contato com o drone.

    Mas imagens dramáticas que foram reveladas nesta quinta-feira (16) aparentemente mostram o jato russo emitindo uma nuvem de combustível sobre o drone, fazendo com que seus sistemas de câmeras fossem desligados.

    Aeronaves russas e americanas operaram sobre o Mar Negro durante a guerra da Ucrânia, mas este é o primeiro incidente desse tipo desde o início do conflito – e ameaça aumentar ainda mais as tensões entre os dois países.

    Aqui está o que você precisa saber.

    O que aconteceu com o drone americano?

    O drone – um MQ-9 Reaper fabricado nos EUA – e duas aeronaves russas SU-27 estavam voando sobre águas internacionais do Mar Negro na terça-feira, quando um dos jatos russos voou intencionalmente na frente e despejou combustível no veículo aéreo não tripulado algumas vezes, disse um comunicado do Comando Europeu dos EUA.

    A aeronave russa então atingiu a hélice do drone, levando os operadores remotos a derrubar o drone MQ-9 em águas internacionais.

    O porta-voz do Pentágono, general Patrick Ryder, acrescentou na terça-feira que a aeronave russa voou “nas proximidades” do drone por 30 a 40 minutos antes de colidir logo após as 7h, horário da Europa Central.

    Os russos deram uma versão diferente dos acontecimentos. Um caça russo “não usou armas aerotransportadas ou entrou em contato” com um drone MQ-9 Reaper da Força Aérea dos EUA sobre o Mar Negro, disse o Ministério da Defesa da Rússia em um comunicado na terça-feira.

    Estados Unidos vão convocar embaixador russo após derrubada de drone no Mar Negro / Reprodução/ CNN

    O vídeo desta quinta-feira fornece uma visão das câmeras do drone da interação, mostrando o jato russo desviando perto do veículo aéreo não tripulado (UAV, na sigla em inglês).

    O incidente marca a primeira vez que aeronaves militares russas e americanas entraram em contato físico direto desde que a Rússia lançou sua invasão à Ucrânia há pouco mais de um ano e provavelmente aumentará as tensões entre as duas nações.

    Mais urgentemente, uma corrida está em andamento para evitar que o drone caia em mãos erradas. Até a noite de terça-feira, nenhum dos dois países havia recuperado o drone, disseram autoridades dos EUA.

    O secretário do Conselho de Segurança da Rússia disse nesta quarta-feira que a Rússia pode tentar obter os destroços do drone para estudá-lo.

    “Não sei se conseguiremos ou não, mas precisamos fazê-lo. E com certeza vamos investigar”, disse Nikolai Patrushev na TV estatal russa Rossiya 1.

    O Kremlin disse que a decisão sobre a retirada do drone do Mar Negro caberá ao Ministério da Defesa da Rússia.

    “Essa é uma prerrogativa dos militares. Se eles acreditarem que é necessário para nossos interesses e nossa segurança no Mar Negro, eles o farão”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, a repórteres em uma teleconferência. Peskov disse que não sabia o que o ministério havia decidido.

    O que é o drone MQ-9 Reaper?

    A Força Aérea dos EUA usa principalmente o Reaper para coletar informações, de acordo com o site do serviço que divulga as habilidades de “inteligência, vigilância e reconhecimento” do drone.

    Mas quando armado, o drone também pode ser usado contra alvos executivos “de alto valor, fugazes e sensíveis ao tempo”, dados seus sistemas de armas e sua capacidade de vigiar uma área por um longo período de tempo.

    Em outras palavras, o Reaper é capaz de vigiar e atacar um inimigo. Esses usos duplos renderam ao Reaper um apelido nos círculos militares: o “caçador-assassino”.

    Drone MQ-9 Reaper da Força Aérea dos EUA em hangar na Base Aérea de Amari, Estônia / 01/07/2020 REUTERS/Janis Laizans

    A Força Aérea dos EUA tem confiado fortemente nos drones para várias missões; ele havia registrado mais de 2 milhões de horas de voo cumulativas até 2019, de acordo com o Relatório de Aquisição Selecionado (SAR, na sigla em inglês) mais recente do Departamento de Defesa, e voava cerca de 330 mil horas por ano.

    Eles são caros; uma unidade de quatro aeronaves custa US$ 56,5 milhões, de acordo com a Força Aérea.

    As plataformas de vigilância e ataque prestaram serviço pesado nas guerras lideradas pelos EUA no Iraque e no Afeganistão. Mas a Força Aérea tem procurado diminuir a produção e o uso dos drones nos últimos anos.

    O financiamento anual para o programa diminuiu desde que atingiu mais de US$ 800 milhões anualmente em duas ocasiões durante o governo Obama, mostram os SARs.

    Após a invasão da Ucrânia pela Rússia no ano passado, o Politico informou que a Força Aérea estava tentando enviar alguns de seus drones mais antigos para Kiev e estava tentando persuadir o Pentágono a aprovar a mudança.

    Por que os EUA estavam pilotando um drone nesta região?

    As missões de reconhecimento americanas têm ocorrido regularmente no espaço aéreo internacional sobre o Mar Negro há vários anos, e a área foi fortemente militarizada desde que a Rússia anexou a Crimeia em 2014, por isso não é incomum que um drone dos EUA seja avistado nessas águas.

    A Rússia aparentemente afirmou nesta terça-feira que a área está sob a alçada de sua invasão da Ucrânia, que eufemisticamente chama de operação militar especial.

    O embaixador russo nos EUA, Anatoly Antonov, disse em resposta a uma pergunta da CNN que a Rússia “informou sobre este espaço que foi identificado como uma zona para operações militares especiais”.

    Exército dos EUA divulga vídeo de caça russo derrubando drone americano
    Exército dos EUA divulga vídeo de caça russo derrubando drone americano / CNN

    “Avisamos para não entrar, não adentrar”, disse ele, perguntando como os EUA reagiriam se um drone russo chegasse perto de Nova York ou São Francisco – uma continuação da reivindicação da Rússia de que tem direito a terras ucranianas.

    Mas esse argumento tem pouco peso fora de Moscou, dada a anexação russa do território ucraniano na Crimeia em 2014 e depois sua invasão em larga escala não provocada de todo o país no ano passado.

    Os EUA disseram que o drone estava de fato sobrevoando águas internacionais quando foi abatido; as interações entre as operações russas e americanas naquela região acontecem com frequência, e não está claro se Moscou pretendia derrubar o drone ou se estava simplesmente tentando “zumbir” a aeronave – um voo próximo que é feito para encorajar o drone ou avião a ir em frente.

    Isso já aconteceu antes?

    Os EUA repreenderam repetidamente a Rússia por encontros aéreos no Mar Negro nos últimos anos.

    Cerca de 90% dos voos de reconhecimento dos EUA sobre o Mar Negro, muitas vezes partindo de estações navais próximas na Europa, são interceptados por jatos russos, de acordo com os militares dos EUA em 2020.

    “O maior risco é o erro de cálculo. Os russos interceptam essas aeronaves com frequência”, disse o capitão Tim Thompson, comodoro da Força-Tarefa 67 da Marinha dos EUA, à CNN naquele ano. “Eles tendem a ser muito profissionais e seguros, mas, ocasionalmente, podem ser pouco profissionais.”

    Um rebocador de aeronaves TowFLEXX TF3 puxa um MQ-9 Reaper ao longo de uma pista no Marine Corps Air Ground Combat Command Center, Twentynine Palms, Califórnia, em 16 de fevereiro. / Staff Sgt. Kristin West/US Air Force

    E este não é o primeiro Reaper a ser abatido durante uma missão. Em 2019, os EUA culparam o Irã pelo abate de um MQ-9 Reaper sobre o Iêmen por um míssil.

    Dara Massicot, pesquisadora sênior de políticas da RAND Corporation especializada em questões de defesa relacionadas à Rússia, escreveu no Twitter que o incidente de terça-feira “se encaixa em um padrão mais amplo” da Rússia de “sinais crescentes antes de chegar muito perto de uma plataforma”, embora ela observou que despejar combustível no drone parecia ser uma nova tática.

    Massicot descreveu o incidente como “um passe próximo que deu errado” e sugeriu que seguiu uma abordagem russa de “comportamento (escalante) para obrigar o alvo a mudar de curso”.

    E agora?

    Apesar da história de confrontos no Mar Negro, a invasão da Ucrânia pela Rússia aumenta as tensões na região. O Comando Europeu dos EUA disse em seu comunicado de imprensa na terça-feira que o incidente “pode levar a erros de cálculo e escalada não intencional”.

    O coordenador de comunicações do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, John Kirby, chamou o incidente de único em quão “inseguras, pouco profissionais e imprudentes” foram as ações russas; Antonov disse que a Rússia não queria “confronto” com os EUA.

    Após a linguagem áspera de terça-feira e a convocação do embaixador russo, os EUA deram o raro passo de retirar o sigilo e divulgar às pressas as imagens do drone – denunciando diretamente a versão russa dos eventos.

    Essa etapa pode aumentar a guerra verbal sobre o incidente.

    Mas há uma questão premente que permanece sem resposta: o que acontecerá com o Reaper abatido e sua carga altamente classificada? De acordo com Kirby, os EUA não estão confiantes de que conseguirão encontrar destroços no Mar Negro.

    “Não tenho certeza se conseguiremos recuperá-lo”, disse ele à CNN.

    A Rússia sinalizou sua intenção de encontrar os destroços primeiro. E a Marinha de Moscou tem vários navios no Mar Negro, incluindo navios baseados em portos da Crimeia, o que os colocaria em uma posição vantajosa para tentar recuperar o drone americano MQ-9 Reaper após seu encontro com caças russos na terça-feira.

    O drone caiu em águas internacionais no Mar Negro, aproximadamente 70 milhas a sudoeste da Crimeia, disse uma das autoridades. Não está claro se a Rússia conseguiu recuperar algum dos destroços do drone quando chegaram ao local do acidente.

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

    versão original