Obamacare: Futuro de programa de saúde opõe Biden e Trump em debate

Diante da pandemia do novo coronavírus, a discussão sobre programas sociais volta-se para o atendimento de saúde à população

Guilherme Venaglia, da CNN, em São Paulo

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Diante de uma pandemia que já vitimou 223 mil pessoas nos Estados Unidos, o tema “As famílias americanas e a economia” do último debate das eleições de 2020 no país foi dominado pelas discussões sobre o futuro do atendimento da saúde.

Mais precisamente, o Affordable Care Act (ACA), popularmente conhecido pelo nome “Obamacare”. Trata-se de algo como “lei de atendimento médico financeiramente acessível”, implementado no governo do ex-presidente Barack Obama.

Durante o debate, o presidente e candidato à reeleição Donald Trump enalteceu as mudanças que promoveu no programa e afirmou que promoveu a liberdade dos americanos de optarem por serviços privados de saúde.

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Trump também afirmou que a intenção de Joe Biden em retomar as características originais e aprofundar o programa terminariam por “socializar” a saúde dos Estados Unidos, encarecendo os custos para o governo e eliminando empregos.

Biden rebateu e afirmou que a tese defendida pelo adversário é “ridícula”. “A ideia de dizer que existir uma opção pública é o mesmo que tornar socialista é ridículo. Saúde não é privilégio, é um direito”, defendeu. 

“Eu apoio o plano de saúde privada. Ninguém vai perder o seu plano sobre a minha proposta”, disse Biden.

Nos Estados Unidos, não há um sistema público de saúde nos moldes do Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro. 

Os dois candidatos criticaram as gestões do outro na temática da saúde. Biden criticando a atual gestão de Donald Trump, e o presidente mirando nos dois mandatos de Barack Obama, de quem o candidato democrata foi vice-presidente.

“Ele estava lá durante 47 anos, oito anos como vice-presidente e não fez nada disso. Não é como se fosse 25 anos atrás, foi há apenas três anos”, disse.

Joe Biden também criticou o discurso de Trump de que o Obamacare deve ser substituído por um novo programa com foco em doenças pré-existentes, que tem custo mais caro. “Ele continua falando disso toda vez, mas não fez nada a esse respeito como presidente”, rebateu.

Obamacare

Em meio à pandemia do novo coronavírus, a oferta de atendimento médico nos Estados Unidos é um dos principais temas discutidos por eleitores e pelos candidatos à Casa Branca. Em especial, o Obamacare.

Obamacare é o nome pelo qual ficou conhecido o Affordable Care Act (ACA), “lei de atendimento médico financeiramente acessível”. Como pode-se imaginar, a medida foi adotada durante o governo do então presidente Barack Obama, em março de 2010.

Joe Biden era o vice-presidente dos EUA durante a gestão de Obama, entre 2009 e 2016.

O Obamacare é composto de regras federais que pretendem tornar os planos de saúde mais baratos e prestando uma gama maior de atendimento.

Nos EUA não há um sistema público de saúde, como o SUS do Brasil. O atendimento particular é caro e, em geral, os planos de saúde públicos e privados também.

O presidente Donald Trump afirma que o programa tem custos muito altos e compromete a sustentabilidade dos planos de saúde privados.

Desde que tomou posse, Trump instituiu medidas que flexibilizaram o programa. Em 2017, o Congresso revogou uma parte da lei, que tratava de penalidades para quem não aderisse a um plano de saúde.

Faz dez anos que os americanos discutem o Obamacare e seus impactos na economia e na saúde. Joe Biden acusa Donald Trump de prejudicar o atendimento de saúde dos americanos. Trump, por sua vez, alega que o programa deve ser substituído por algo mais amplo e sustentável.

No meio das discussões entre os dois candidatos, há análise de contestações sobre o Obamacare na Suprema Corte. Trump indicou Amy Coney Barrett para a vaga aberta na Suprema Corte. Segundo Biden, a escolha de Barrett é uma tentativa de tentar garantir na Justiça o fim do Obamacare.

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