Ofensiva na Cidade de Gaza levará meses, dizem militares israelenses
Porta-voz das Forças de Defesa de Israel disse que tropas agirão até que todos os objetivos da guerra sejam alcançados

O Exército israelense afirmou nesta terça-feira (16) que espera que a ofensiva na Cidade de Gaza leve meses para ser concluída. A ação marca mais um passo para assumir o maior controle populacional do território, além de eliminar estruturas do grupo palestino Hamas.
"Agiremos até que os objetivos da guerra sejam alcançados. Não estamos limitados pelo tempo", disse o porta-voz das Forças de Defesa de Israel, Effie Defrin, a repórteres.
“Estimamos que levará vários meses para proteger a cidade e os centros de gravidade, e meses adicionais para limpá-la completamente devido à infraestrutura profunda e entrincheirada”, disse Defrin.
A ONU alertou que o plano de Israel de invadir e ocupar a Cidade de Gaza coloca cerca de 1 milhão de residentes palestinos em risco de deslocamento forçado.
Na segunda-feira (15), uma autoridade israelense estimou que 320 mil palestinos já fugiram da cidade até o momento.
Entenda a guerra na Faixa de Gaza
A guerra na Faixa de Gaza começou em 7 outubro de 2023, depois que o Hamas lançou um ataque terrorista contra Israel.
Combatentes do grupo radical palestino mataram 1.200 pessoas e sequestraram 251 reféns naquele dia.
Então, tropas israelenses deram início a uma grande ofensiva com bombardeios e por terra para tentar recuperar os reféns e acabar com o comando do Hamas.
Os combates resultaram na devastação do território palestino e no deslocamento de cerca de 1,9 milhão de pessoas, o equivalente a mais de 80% da população total da Faixa de Gaza, segundo a UNRWA (Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos).
Desde o início da guerra, pelo menos 63 mil palestinos foram mortos, segundo o Ministério da Saúde de Gaza. O ministério, controlado pelo Hamas, não distingue entre civis e combatentes do grupo na contagem, mas afirma que mais da metade dos mortos são mulheres e crianças. Israel afirma que pelo menos 20 mil são combatentes do grupo radical.
Parte dos reféns foi recuperada por meio de dois acordos de cessar-fogo, enquanto uma minoria foi recuperada por meio das ações militares.
Autoridades acreditam que cerca de 50 reféns ainda estejam em Gaza, sendo que cerca de 20 deles estariam vivos.
Enquanto a guerra avança, a situação humanitária se agrava a cada dia no território palestino. De acordo com a ONU, passa de mil o número de pessoas que foram mortas tentando conseguir alimentos, desde o mês de maio, quando Israel mudou o sistema de distribuição de suprimentos na Faixa de Gaza.
Com a fome generalizada pela falta da entrada de assistência na Faixa de Gaza, os relatos de pessoas morrendo por inanição são diários.
Israel afirma que a guerra pode parar assim que o Hamas se render, e o grupo radical demanda melhora na situação em Gaza para que o diálogo seja retomado.



