ONG espera receber refugiados da Ucrânia nas próximas semanas, diz coordenadora

À CNN Rádio, Valquíria Lima, da Cáritas Brasileira, explicou que há diferenças para o visto humanitário concedido para cidadãos que fugirem da guerra da Ucrânia

Refugiada ucraniana cruza a pé a fronteira da Ucrânia com a Polônia
Refugiada ucraniana cruza a pé a fronteira da Ucrânia com a Polônia Attila Husejnow/SOPA Images/LightRocket via Getty Images

Letícia Brito SilvaLetícia VidicaAmanda Garciada CNN

Em São Paulo

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Em entrevista à CNN Rádio, no CNN no Plural, a coordenadora nacional da Cáritas Brasileira, Valquíria Lima, disse que há a expectativa de que “nas próximas semanas tenhamos a chegada” de ucranianos que fugiram da guerra.

Ela explicou que a lei brasileira permite a concessão de visto humanitário para países que tiveram guerras, como Afeganistão, Haiti e Síria. “As portas estão abertas. Mas, no caso da Ucrânia, o visto é concedido apenas para ucranianos, pessoas de outras nacionalidades que moram lá não vão poder solicitar o visto humanitário.”

No caso do Afeganistão, por exemplo, qualquer pessoa que more lá pode pedir o visto, não necessariamente apenas os afegãos.

Na avaliação de Valquíria, houve até certa demora para o Brasil lançar a portaria que beneficia os ucranianos.

A Cáritas é uma das organizações mais atuantes no acolhimento de refugiados e migrantes. Ela foi fundada no Brasil em 1956 e é vinculada à Conferências Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

“Nós temos atuado com a questão da migração e refúgio e, na nossa experiência, o Brasil tem recebido pessoas de países como Venezuela, Cuba, Senegal, Haiti, Síria e Afeganistão.”

De acordo com ela, a “sociedade civil e organizações humanitárias só podem agir porque há apoio internacional”: “Há poucas políticas públicas nacionais, mesmo para garantir o básico.”

Essas primeiras necessidades são a documentação, apoio à formação, iniciativa de conectar os migrantes a empresários para cursos de capacitação, garantir segurança alimentar e nutricional, saneamento, higiene e acesso à informação.

“Esse primeiro acolhimento, essa inserção à sociedade, é nosso papel, e só acontece porque recebemos recursos internacionais, não há programa específico no Brasil para continuar fazendo atendimentos humanitários”, completou.

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