Países já vacinam crianças abaixo de 12 anos contra a Covid-19; veja lista

Nações divergem tanto por desigualdade no acesso a vacinas quanto por quererem mais tempo para analisar imunização de menores de 12 anos

Kara Foxda CNN*

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As escolas estão abertas, as restrições contra a Covid-19 estão sendo relaxadas e a variante Delta está assustando todo o mundo, criando um turbilhão de confusão para os pais sobre a melhor maneira de proteger seus filhos não vacinados.

Dados do início da pandemia mostraram que é menos provável que as crianças fiquem gravemente doentes. Porém, o surgimento da Delta tem sido uma mudança no jogo, destruindo o mito de que crianças saudáveis não podem ser atingidas duramente pelo vírus.

Enquanto muitas nações ricas, incluindo os Estados Unidos e a maioria dos membros da União Europeia, agora oferecem vacinas da Covid-19 para crianças de 12 anos ou mais, um conjunto de países já autorizou a vacina para pessoas mais jovens.

Enquanto isso, a grave desigualdade de vacinas persiste em nível global, com muitas nações em desenvolvimento continuando a lutar para fornecer a primeira e segunda doses a grupos de alto risco – com a ideia de conseguir vacinas para crianças em um futuro distante.

Até o momento, Cuba, Chile, China, El Salvador e os Emirados Árabes Unidos já iniciaram a vacinação das crianças menores de 12 anos.

Aqui está um retrato global da situação:

Onde as crianças menores de 12 anos estão sendo vacinadas

Cuba tornou-se o primeiro país do mundo a vacinar crianças a partir dos 2 anos este mês, com o governo dizendo que suas vacinas caseiras são seguras para crianças mais novas.

A ilha planejou inicialmente concentrar esforços na vacinação de trabalhadores da saúde, idosos e pessoas de áreas duramente atingidas pelo vírus.

Em seguida, após um pico de infecções entre crianças devido à Delta, o governo anunciou que também daria prioridade às crianças pequenas em uma tentativa de reabrir com segurança as salas de aula.

Durante toda a pandemia, a maioria das aulas presenciais foi suspensa em Cuba. Os alunos têm aprendido principalmente através de programas educativos de televisão, já que a internet doméstica continua sendo uma raridade na ilha.

Cuba ainda não forneceu dados sobre suas vacinas a observadores externos, mas disse que buscaria a aprovação da Organização Mundial da Saúde (OMS) na quinta-feira (16).

Chile, China, El Salvador e os Emirados Árabes Unidos também aprovaram vacinas para crianças menores.

No Chile, crianças com 6 anos ou mais podem receber a vacina Sinovac, enquanto que, na China, as vacinas Sinovac e Coronavac são autorizadas para uso em crianças a partir de 3 anos.

Em El Salvador, crianças a partir de 6 anos poderão ser vacinadas em breve, e, nos Emirados Árabes Unidos – onde a Sinopharm é aprovada para crianças de 3 anos –, o governo deixou claro que o programa de vacinação será opcional.

Enquanto isso, crianças americanas entre 5 e 11 anos poderão ser elegíveis para a vacina em algum momento deste outono, enquanto aguardam a aprovação da agência regulatória dos EUA, a FDA.

O CEO da Pfizer disse na terça-feira (15) que a empresa planeja apresentar dados sobre a vacina com estudos envolvendo essa faixa etária até o final deste mês.

Onde os governos ainda refletem sobre vacinação em crianças mais novas

O Reino Unido tem sido mais cauteloso do que muitos outros países europeus em relação à vacinação das populações mais jovens, recomendando a vacina apenas para jovens de 12-15 anos na segunda-feira, seguindo os conselhos dos chefes em saúde.

A medida encerrou meses de debate entre cientistas e governo, e coloca o país em sintonia com os EUA e muitos outros países europeus que vêm vacinando esta faixa etária há meses.

No final de maio, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) aprovou o uso da vacina da Pfizer/BioNtech para crianças de 12-15 anos, com base em um estudo que mostrou que a resposta imunológica à vacina naquele grupo etário era comparável à resposta imunológica observada em pessoas de 16-25 anos.

A EMA aprovou a vacina Moderna para crianças de 12-15 anos de idade no final de julho.

França, Dinamarca, Alemanha, Irlanda, Itália, Espanha e Polônia estão entre os países da UE que lançaram suas campanhas de vacinação para jovens entre 12 e 15 anos, com níveis de aderência variáveis em todo o bloco.

A Suíça – que não faz parte da UE – vacina a faixa etária mais jovem desde junho. O país oferecerá a vacina a jovens de 12-15 anos no final do outono, disse o primeiro ministro sueco Stefan Lofven na quinta-feira.

Enquanto isso, no Reino Unido, não há planos atuais de vacinar crianças menores de 12 anos, de acordo com Chris Whitty, autoridade médica da Inglaterra.

As diretrizes atuais do Reino Unido para crianças de 12-15 anos foram apresentadas na esperança de que elas reduzam a propagação do vírus nas escolas, disse Whitty.

Ele observou, entretanto, que as vacinas não são uma “bala de prata” e que as políticas para minimizar a transmissão devem permanecer em vigor. Os adolescentes receberão apenas uma dose da vacina, por enquanto.

A nova orientação também revigorou um debate sobre o consentimento no Reino Unido, especialmente quando pai e filho discordam.

Embora os pais no Reino Unido geralmente precisem autorizar a vacinação para jovens menores de 16 anos, as crianças podem anular uma decisão hesitante dos pais se um médico considerar o jovem como “competente” para fazê-lo.

Onde não há doses suficientes

Enquanto mais de 42% da população mundial já tomou pelo menos uma dose da vacina, apenas 1,9% das pessoas em países de baixa renda receberam pelo menos uma dose, o que deixa bilhões de pessoas sob alto risco de doença e morte quando expostas à Covid-19.

O Haiti só recebeu suas primeiras vacinas em julho, com a entrega de 500.000 doses doadas pelos EUA através do programa de compartilhamento de vacinas Covax Facility.

Menos de 1% dos 11,4 milhões de pessoas do país – dos quais quase um terço tem menos de 14 anos de idade – foram vacinadas até agora.

Em maio, quando alguns países de alta renda começaram a vacinar crianças e outros grupos de baixo risco, o chefe da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que estavam “fazendo isso às custas dos trabalhadores da saúde e grupos de alto risco em outros países”.

Onde vacinas para crianças poderiam ser mais difíceis de serem implantadas

Embora nenhum país pareça ter excluído categoricamente a vacinação de crianças pequenas até o momento, a hesitação ao aderir a vacinas entre os próprios formuladores de políticas poderia desempenhar um papel em países.

Na República Democrática do Congo, pouco mais de 120.000 doses foram administradas – deixando menos de 0,1% da população do país de 90 milhões de pessoas protegidas.

Na semana passada, o país recebeu 250.000 doses da vacina Moderna, doada pelos EUA através da Covax. Outras 250.000 doses da Pfizer deverão seguir em breve.

Entretanto, o ceticismo em relação à vacina permanece elevado no país, com líderes proeminentes, incluindo o presidente, contribuindo para essa hesitação.

Em março, mais de 1,7 milhões de doses de AstraZeneca chegaram a Kinshasa, mas o governo atrasou seu lançamento após relatos de raros coágulos de sangue. Depois, 75% da remessa foi exportada.

Na segunda-feira, depois de esperar por seis meses, o presidente da RDC Félix Tshisekedi foi vacinado, dizendo, após sua primeira dose da vacina Moderna, que “com este ato quero mostrar aos meus compatriotas que é realmente necessário tomar a vacina e que não é necessário se preocupar”.

Ele acrescentou que sua esposa também havia tomado a vacina, e depois estimou outros a fazê-lo, “porque ela salva vidas”.

A mudança no tom da mensagem pode deixar os funcionários da saúde pública esperançosos de receber mais doses nos próximos meses.

Mas como isso vai acontecer em termos de vacinação de crianças ainda não está claro, especialmente em um país onde a desinformação sobre as vacinas é abundante e onde, no início deste ano, cerca de 70% dos profissionais de saúde disseram que não iriam receber a vacina.

*Patrick Oppmann, Larry Madowo, Jack Guy e Niamh Kennedy, da CNN, contribuíram para essa reportagem

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