Esposa de Navalny e outras milhares de pessoas são presas em protesto na Rússia

Alexei Navalny, opositor de Putin, pediu a seus partidários que protestassem depois de ter sido preso no último fim de semana, quando voltou a Moscou

Ivana Kottasová, Zahra Ullah, Mary Ilyushina, Fred Pleitgen e Anna Chernova, da CNN

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Yulia Navalnaya, esposa do político opositor russo Alexei Navalny, foi detida em Moscou neste sábado (23), paralelamente a um protesto realizado em apoio ao marido.

Vídeos mostram Navalnaya sendo parada pela polícia na entrada de uma estação de metrô no centro de Moscou, perto de onde os manifestantes estavam reunidos e, depois, sendo escoltada até uma van da polícia. 

Navalnaya foi solta na noite de sábado (horário local), de acordo com um tuíte da Fundação Anticorrupção (Fbk) fundada por Navalny.

A manifestação em Moscou foi uma das dezenas de protestos da oposição realizados em desafio às autoridades russas no sábado. De acordo com o OVD-Info, um site independente que monitora as prisões, mais de 2.100 pessoas foram detidas durante protestos em quase 100 cidades.

O próprio Navalny está sob custódia pré-julgamento – os manifestantes exigiam sua libertação. Ele foi detido em um aeroporto de Moscou na noite de domingo (17), momentos depois de chegar da Alemanha, onde passou cinco meses se recuperando de um envenenamento por Novichok que atribui ao governo russo. O Kremlin nega qualquer envolvimento.

As manifestações começaram na cidade de Vladivostok, no extremo leste da Rússia, e se espalharam para o oeste à medida que o dia avançava. Os apoiadores de Navalny disseram na sexta-feira que planejavam protestos em 90 cidades e vídeos e fotos postados nas redes sociais mostraram multidões reunidas em várias partes do país.

Imagens registraram um pequeno protesto na cidade de Yakutsk, onde as temperaturas chegaram a -53 graus Celsius neste sábado.

Moscou e São Petersburgo registraram algumas das maiores multidões. Milhares de pessoas se reuniram na praça Pushkin, no centro de Moscou, no início da tarde, carregando faixas e gritando “Putin é um ladrão” e “Um por todos e todos por um!” A maioria usava máscaras faciais, por causa da pandemia do novo coronavírus.

Eles foram recebidos pela tropa de choque, que tentava afastá-los usando cassetetes. Uma mensagem alta, pedindo às pessoas para irem embora, era repetida em alto-falantes. “Caros cidadãos, este evento é ilegal. Fazemos o possível para garantir a sua segurança. Fiquem atentos e, se possível, abandone o evento ilegal”. 

O Ministério de Assuntos Internos da Rússia disse que cerca de 4.000 pessoas se reuniram para um protesto em Moscou. O comunicado não fez nenhuma referência a Navalny e foi publicado cerca de 40 minutos antes do início do ato.

Alexei Navalny
Opositor russo Alexei Navalny chegou ao aeroporto de Moscou neste domingo (17), onde foi detido pela polícia Rússia
Foto: REUTERS/Polina Ivanova (17/1/2021)

Muitos manifestantes foram presos antes mesmo do início oficial do protesto. No final do dia, mais de 500 foram detidos somente em Moscou, de acordo com o OVD-Info.

Um dos manifestantes que compareceu ao comício em Moscou, Kirill, disse que estava protestando porque “não se pode vencer uma luta sem lutar”. Em declarações à CNN durante a manifestação, o jovem de 20 anos disse: “Não tenho orgulho do meu país, não quero que o meu governo envenene as pessoas e as coloque na prisão. Quero mais liberdade. Quero eleições adequadas e governo normal, então estou tentando defender minha liberdade aqui.”

Yulia Navalnaya se juntou ao protesto em Moscou, compartilhando uma foto sua no Instagram. A legenda dizia: “Estou tão feliz que você está aqui. Obrigado!” Menos de 30 minutos depois, ela compartilhou outra foto sua no que dizia ser um carro da polícia.

A mãe de Navalny, Lyudmila Ivanovna Navalnaya, também participou do comício em Moscou.

Vários aliados de Navalny foram detidos esta semana por incitar os protestos, incluindo seu porta-voz Kira Yarmysh, o investigador da Fundação Anticorrupção Georgy Alburov e o ativista da oposição Lyubov Sobol.

O coordenador do escritório de Navalny em Moscou, Oleg Stepanov, foi detido neste sábado, de acordo com um tuíte da equipe de Navalny em Moscou.

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia acusou os Estados Unidos de encorajar os protestos depois que a Embaixada dos EUA na Rússia postou um alerta em seu site aconselhando os cidadãos americanos a evitar as manifestações.

Em um tuíte postado no sábado, o ministério disse que postar informações sobre as manifestações estava “de acordo com a política provocativa de Washington de encorajar protestos em países cujos governos são vistos pelos EUA como indesejáveis”.

De acordo com a lei russa, um pedido oficial para aprovação de um protesto deve ser feito às autoridades locais pelo menos 10 dias antes do evento. Navalny foi preso há menos de uma semana, então os organizadores não tiveram tempo suficiente para fazer esse pedido.

O órgão regulador russo da Internet disse na quinta-feira (21) que planeja multar as principais redes sociais, incluindo Twitter, Facebook e TikTok, por “divulgar informações proibidas por lei e destinadas a atrair menores para participarem de eventos públicos não autorizados”.

Polícia russa prende centenas em protesto em apoio a Navalny, opositor de Putin
Polícia russa prende centenas em protesto em apoio a Navalny, opositor de Putin
Foto: Reuters

A porta-voz da embaixada dos Estados Unidos em Moscou, Rebecca Ross, acusou as autoridades russas de suprimir o direito à reunião política pacífica e à liberdade de expressão. “Isso continua, os anos de restrições na Rússia, ações repressivas contra a sociedade civil, mídia independente, oposição política”, disse ela em um comunicado no Twitter.

O Alto Representante da União Europeia (UE), Josep Borrell, condenou as “detenções generalizadas e o uso desproporcional da força” pelas autoridades russas nos protestos e disse que iria discutir os “próximos passos” com os ministros das Relações Exteriores da UE na segunda-feira (25).

O Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido disse em um comunicado no sábado que está “profundamente preocupado” com a detenção de manifestantes. “Instamos o governo russo a respeitar e cumprir seus compromissos internacionais sobre direitos humanos e libertar os cidadãos detidos durante manifestações pacíficas”, disse o comunicado.

(Texto traduzido; leia o original em inglês)

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