Porta-voz do Talibã diz que aceitaria afegãos deportados, mas com julgamentos
Zabihullah Mujahid, no entanto, não entrou em detalhes sobre por que cidadãos deveriam ser levados ao tribunal ou que julgamento eles poderiam enfrentar

O governo do Talibã disse nesta segunda-feira (30) que aceitaria qualquer migrante afegão que tivesse pedido de asilo rejeitado na Europa. Porém, segundo um jornal austríaco, um porta-voz do grupo que tomou o governo do Afeganistão afirmou que eles enfrentariam julgamentos em tribunais de Justiça.
"Sim. Eles seriam levados ao tribunal. O tribunal então teria que decidir como proceder com eles", disse o porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid, ao ser questionado se o grupo aceitaria cidadãos que pedem asilo na Alemanha ou Áustria, mas são rejeitados ou que também cometeram crimes nesses países europeus.
Ele, porém, não entrou em detalhes sobre por que eles deveriam ser levados ao tribunal ou que julgamento eles poderiam enfrentar lá.
O anúncio acontece em um momento onde o governo conservador da Áustria adotou uma linha dura com os cidadãos afegãos que pedem asilo e também com os refugiados dentro da União Europeia.
Segundo o ministro do Interior do país, Karl Nehammer, a Áustria "deveria continuar deportando os que têm asilo rejeitados de volta para o Afeganistão pelo maior tempo possível".
Ele já admitiu que isso não é mais possível, mas disse que deseja "centros de deportação" instalados em países vizinhos que os receberão.
Direto das mulheres no Afeganistão
Na entrevista, o porta-voz do Talibã também repetiu a promessa de seu governo de respeitar os direitos das mulheres na estrutura da lei islâmica, ou Sharia.
"Garantiremos todos os direitos aos quais as mulheres têm direito sob a Sharia", disse Zabihullah. “Vamos conceder direitos islâmicos às mulheres, possibilitar a educação e criar condições para o trabalho. Estamos no processo de colocar tudo isso em prática”.


