Presidente do Malawi: restrições são baseadas na “afrofobia”, e não na ciência

Lazarus Chakwera disse que viagens vindas de países do sul da África estariam sendo limitadas sem amparo na ciência

Presidente do Malawi, Lazarus Chakwera, durante discurso na COP26
Presidente do Malawi, Lazarus Chakwera, durante discurso na COP26 Foto: Yves Herman - WPA Pool/Getty Images

Larry Madowoda CNN*

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As restrições a viagens impostas a passageiros provenientes do sul da África são baseadas na “afrofobia”, e não na ciência, disse o presidente do Malauí, Lazarus Chakwera.

Em uma postagem em sua página verificada no Facebook, Chakwera disse que o mundo deveria ser grato aos cientistas da África do Sul por identificarem a variante Ômicron da Covid-19 antes dos outros.

O presidente do Malawi, que também é presidente dos 16 membros da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), disse que todos estão preocupados com a nova variante do coronavírus.

“Mas as proibições de viagens unilaterais agora impostas aos países da SADC pelo Reino Unido, UE, EUA, Austrália e outros são desnecessárias”, escreveu ele. “Medidas covardes devem ser baseadas na ciência, não na afrofobia.”

Alguns africanos nas redes sociais culparam o racismo pelas proibições de viagens, apontando que as nações ricas que também relataram a variante Ômicron não recebem o mesmo tratamento.

O Ministério de Relações Internacionais e Cooperação da África do Sul disse, em um comunicado no sábado (27), que as restrições a viagens eram “semelhantes a punir a África do Sul por seu avançado sequenciamento genômico e a capacidade de detectar novas variantes mais rapidamente”.

Restrições às viagens são prejudiciais, diz o presidente sul-africano

Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa / 23/11/2021 REUTERS/Siphiwe Sibeko

O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, também declarou nesta segunda que o mundo precisava resistir às restrições de viagens injustificadas e não científicas, que afetam principalmente as nações em desenvolvimento.

“Precisamos resistir às restrições de viagens injustificadas e não científicas que estão prejudicando as economias e setores das economias que dependem de viagens”, disse Ramaphosa durante um discurso na abertura da Cúpula China-África, em Dacar.

O presidente do Senegal, Macky Sall, que estava hospedando a cúpula, respondeu que a África era solidária com a África do Sul e que a África “não fechará suas portas à África do Sul”.

*Com informações da Reuters

**Esta matéria foi traduzida. Leia a original, em inglês

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