Professora: É improvável um acordo que encerre conflito no Oriente Médio

Em entrevista à CNN, Carolina Pavese, professora de Relações Internacionais, destaca incertezas sobre negociações entre EUA e Irã e aponta para ciclo vicioso de ataques e cessar-fogos

Da CNN Brasil
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Há expectativas de que os Estados Unidos e o Irã possam retornar à mesa de negociações neste fim de semana, com dois importantes enviados americanos embarcando para o Paquistão. Entretanto, especialistas apontam para a improbabilidade de um acordo que encerre definitivamente o conflito no Oriente Médio.

Em entrevista à CNN, Carolina Pavese, professora de Relações Internacionais do Instituto Mauá, explicou que existe um jogo de narrativas entre os países envolvidos. "Os Estados Unidos falaram que o Irã foi quem solicitou a reunião e o Irã negou esse pedido", afirmou a especialista. Representantes importantes do governo americano, como Steve Witkoff, enviado especial, e Jared Kushner, estão indo para as negociações, enquanto há expectativa não confirmada da participação do ministro das Relações Exteriores do Irã.

Ciclo vicioso de ataques e cessar-fogos

A professora destacou que o conflito, que já dura 57 dias, segue uma lógica cíclica: "Esse jogo segue uma lógica de ataques, cessar-fogo para poder dar um alívio, uma tentativa de negociações para também sinalizar que esse caminho da diplomacia permanece aberto, mas são acordos que nunca levam a nada", explicou Pavese. Ela lembrou que na quarta-feira (22) acabou o prazo de um cessar-fogo de duas semanas que Trump havia anunciado em 8 de abril, sendo substituído por um novo anúncio que já tem sido descumprido por Israel com ataques ao Líbano.

Carolina ressaltou as graves consequências humanitárias e econômicas do conflito. Segundo ela, a Agência da ONU para Alimentos (FAO) alertou que, se o fechamento do Estreito de Ormuz continuar, pelo menos 45 milhões de pessoas podem ficar sem alimentos. Além disso, o conflito tem provocado aumento no custo do petróleo, do gás líquido e de outros insumos, afetando diversas cadeias produtivas, inclusive a agrícola, já que por ali passam muitos insumos necessários para a produção de fertilizantes.

Questão nuclear como ponto sensível

Um dos pontos mais sensíveis nas negociações é a questão do enriquecimento de urânio pelo Irã. A professora explicou que esse tema é objeto de disputa de longa data na política de Trump com o Irã. Durante o governo Obama, foi costurado um acordo para acompanhamento da produção iraniana de urânio, do qual Trump saiu em seu primeiro mandato.

"Trump agora retoma com um discurso dessa questão nuclear", observou Pavese, lembrando que quando os ataques começaram há dois meses, o argumento era derrubar o regime autocrático iraniano, com pouca menção ao urânio. "Isso surpreende, de certa forma não tanto, mas volta a essa agenda de negociação e Trump então puxa essa carta da manga", analisou, sugerindo que pode ser um blefe para as negociações.

A especialista também destacou que, uma semana antes do início do conflito, havia tratativas diplomáticas encabeçadas por países do Oriente Médio, principalmente pelo Omã, que sinalizavam a possibilidade de um acordo diplomático sobre a questão nuclear. "Isso é interrompido de uma maneira abrupta, sem comunicação aos próprios aliados dos Estados Unidos com esse ataque orquestrado por Israel e pelo Irã", concluiu Pavese, o que diminui as garantias para o Irã de que desta vez os Estados Unidos vão se comprometer com a diplomacia.

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