Putin diz não saber de ameaça de Belarus sobre corte a gás natural para Europa

Presidente russo afirmou que Lukashenko não mencionou tal possibilidade, mas que um avanço nesse sentido significaria um rompimento de acordos feitos com Belarus

Putin participa de reunião da Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico, a Apec
Putin participa de reunião da Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico, a Apec Reuters

Katya GolubkovaTom Balmforthda Reuters

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O presidente russo Vladimir Putin disse, neste sábado (13), que Belarus não o consultou sobre a possibilidade de um corte nos suprimentos de gás natural russo para a Europa, acrescentando que tal movimento poderia ameaçar os laços que Minsk mantém com Moscou, uma aliada fundamental.

Na quinta-feira (11), o presidente de Belarus, Aleksandr Lukashenko, ameaçou retaliar a União Europeia caso existam novas sanções a Minsk em relação a uma crise migratória entre Belarus e o bloco. Lukashenko sugeriu que ele poderia cortar o trânsito de gás natural e outros bens que fluem de seu país.

A declaração causou um aumento nos preços do gás na Europa, que adquire cerca de um terço de seus suprimentos da Rússia, inclusive via gasoduto Yamal-Europa, que passa por Belarus para chegar à Alemanha e Polônia.

O trecho belarusso do gasoduto Yamal-Europa é controlado pela empresa estatal russa de gás natural, a Gazprom.

“Eu falei recentemente [com Lukashenko] duas vezes e ele não mencionou tal possibilidade para mim nenhuma vez, sequer fez uma sugestão”, disse Putin em uma entrevista à TV estatal, que transmitiu os primeiros comentários do presidente russo sobre a ameaça de Belarus.

“Claro que, como presidente, Lukashenko poderia, em teoria, ordenar cortes em nossos transportes de gás para a Europa. Mas isso significaria abrir uma ferida em nosso contrato de trânsito de gás, e eu espero que isso não aconteça”, acrescentou Putin.

A Rússia tem sido a aliada mais próxima de Belarus há anos, ajudando em empréstimos ou suprimento mais barato de energia, assim como em assistência militar. No entanto, os comentários de Lukashenko vêm em um momento sensível para a exportação russa à Europa.

Analistas avaliam que os comentários de Lukashenko sobre o gás natural testaram a paciência de Putin em um debate já central com os europeus.

Os preços do gás na Europa – e, consequentemente, as tarifas de energia – estão crescentes neste ano conforme a recuperação da pandemia de Covid-19 gera um pico de demanda, o que força consumidores da Europa à Ásia lutarem pelo suprimento.

Alguns políticos europeus acusaram Moscou de falhar em implementar medidas adicionais de controle de preço além de apenas enviar os volumes de gás contratualmente estabelecidos.

A Comissão Europeia anunciou, na sexta-feira, que se Lukashenko cumprir com suas ameaças, isso iria atingir consequentemente os fornecedores de energia.

Durante a entrevista deste sábado, Putin afirmou que, se Belarus cortasse o suprimento, isso causaria “grandes danos ao setor energético europeu” e não iria ajudar “no aprimoramento das relações de Belarus como um país com trânsito [de gás natural]”.

“Eu vou discutir sobre isso com ele [Lukashenko] caso isso não tenha sido apenas algo dito no calor do momento”, afirmou Putin.

A Rússia, que começou a aumentar o fornecimento de gás nesta semana para abastecer o estoque europeu com a proximidade do inverno, afirmou que mais gás poderia ser enviado caso o novo duto Nord Stream 2 receba um aval positivo da Alemanha.

O Nord Stream 2 é outro gasoduto construído que precisaria transitar entre os países, em especial pela Ucrânia, que já tem um histórico de impasses com Moscou.

Por sua vez, o Kremlin afirma que o gasoduto é um “projeto puramente comercial” e nega que a política esteja por trás disso.

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