Putin não deve partir para a invasão total da Ucrânia, diz professor

Em entrevista à CNN, Angelo Segrillo afirmou que a incursão russa não irá se expandir para outras regiões além das separatistas

Duda Cambraiada CNN*Vinícius Tadeuda CNN

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O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, declarou nesta quarta-feira (23) que a Rússia aprovou uma ofensiva contra a Ucrânia e disse que o presidente russo, Vladimir Putin, não respondeu ao seu convite para conversar. Na visão do professor de história contemporânea da USP e pesquisador do Instituto Pushkin de Moscou Angelo Segrillo, o líder russo “vai acabar entrando” no território ucraniano.

Em entrevista à CNN, o professor afirmou, no entanto, que as tropas russas devem “ficar mais na região das províncias separatistas”. Ele avalia que, caso a Rússia invada o território ucraniano para além das regiões separatistas, a reação deve ser muito maior e danosa.

Segrillo ressaltou que uma “disputa territorial permanente com a Rússia impede a entrada da Ucrânia na Otan [Organização do Tratado do Atlântico Norte”. Sendo assim, Putin conseguiria atingir seu objetivo de evitar que a Ucrânia faça parte da Otan por meio da instalação de um conflito em algumas áreas do país. “Imagino que vai ficar nesse cenário mais limitado”, diz o especialista.

De acordo com o pesquisador, embora a economia russa tenha enfrentado dificuldades nos últimos anos devido à pandemia e ao crescimento econômico lento, o país conta com grandes reservas estrangeiras de cerca de US$ 600 bilhões.

O professor considera que a Rússia “vem se preparando para sanções”. Contudo, Segrillo avalia que as sanções que podem ser impostas pelos Estados Unidos e pelo Ocidente são capazes de abalar drasticamente a economia russa.

“Acho que o [Joe] Biden [presidente dos Estados Unidos] está segurando essas últimas armas de sanções máximas na esperança de que Putin fique só nessa coisa limitada das duas regiões separatistas e pare por ali”, disse o professor.

Na visão de Segrillo, se a invasão russa se expandir, sanções mais amplas serão decretadas e abalarão fortemente não só a Rússia, como também o Ocidente. Segundo ele, por exemplo, o preço do petróleo tende a disparar.

O professor, no entanto, acredita em uma solução diplomática para as tensões no Leste Europeu.

“Acho que a diplomacia vai funcionar agora porque o Putin deve parar por aí e não vai para a invasão total. Ele deve criar um conflito congelado ali, assim como outros na geografia do espaço pós-soviético”, concluiu Segrillo.

*Sob supervisão de Elis Franco

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