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    Quem é Cirilo I, líder da Igreja Ortodoxa Russa e aliado de Vladimir Putin

    Líder religioso foi alvo de sanções da União Europeia devido ao seu apoio à invasão da Ucrânia pela Rússia

    Cirilo I se tornou o Patriarca de Moscou em 2009, defendendo valores conservadores
    Cirilo I se tornou o Patriarca de Moscou em 2009, defendendo valores conservadores Mikhail Svetlov/Getty Images

    Nuno Mandeiroda CNN

    O líder da Igreja Ortodoxa Russa poderá ser um dos próximos alvos das sanções da União Europeia pela sua proximidade ao Kremlin, em especial com o presidente russo. Mas quem é Cirilo I, o aliado de Vladimir Putin contra as “forças do mal”?

    Originalmente chamado Vladimir Mikhailovich Gundyayev, ele nasceu em novembro de 1946, em Leningrado, atual São Petersburgo, e desde 1° de fevereiro de 2009 se chama Cirilo I.

    Ele atua como Patriarca de Moscou, a figura mais importante da Igreja Ortodoxa e peça central da política russa nas últimas décadas, sendo um dos pilares de Vladimir Putin e um dos defensores da “operação militar especial” na Ucrânia, como o governo russo se refere à invasão.

    Apoiador dos valores religiosos conservadores, já foi acusado de ser ex-informante da KGB – o serviço secreto soviético. Cirilo I é um dos mais poderosos do círculo restrito de Putin e tem sido fulcral no reforço do autoritarismo do Kremlin desde que ascendeu ao mais alto cargo religioso na Rússia.

    Desde os primeiros dias à frente dos ortodoxos russos, ele tem se mostrado como um denunciante de protestos e manifestantes, bem como um defensor inabalável de Putin. Em 2012, descreveu-o como um “milagre de Deus”.

    Tanto Cirilo I como Putin, e várias outras figuras proeminentes da oligarquia russa, são naturais da antiga capital imperial do país, São Petersburgo. Tal como o pai, Mikhail, e o avô, acabou por optar por uma carreira religiosa, mas, ao contrário do avô – que acabou exilado durante 30 anos nos campos de trabalho forçado – Vladimir Gundyayev subiu rapidamente na hierarquia da igreja russa, tendo acabado por se tornar chefe de relações externas, conquistando o seu próprio programa de televisão, focado na doutrina religiosa.

    Na televisão russa, propôs um plano ambicioso de reforma da igreja, que estava estagnada desde o período de ateísmo soviético. O objetivo sempre foi um só: expandir a presença da religião em instituições estatais como escolas e exércitos. Enquanto patriarca, acabou por torná-lo realidade, sempre muito próximo de Putin.

    Cirilo I assegurou a consolidação dos valores ortodoxos na última revisão constitucional, aprovada em 2020, introduzindo diversos princípios conservadores defendidos igualmente por Vladimir Putin, como a fé em Deus, o casamento reservado aos heterossexuais, o ensino patriótico e a imunidade vitalícia dos presidentes russos.

    Nas últimas semanas, tem sido uma da maiores vozes públicas de apoio à “campanha militar” da Rússia na Ucrânia, pedindo a todos os fiéis que se unam no combate aos “inimigos externos e internos” de Moscou. No sexto pacote de sanções da Comissão Europeia, é um dos nomes na lista de 58 personalidades a serem punidas.

    Em fevereiro, já com a guerra em curso, afirmou perante os fiéis que em curso estava uma luta contra as “forças do mal”, que se opõem à “histórica unidade” entre Rússia e Ucrânia”.

    Recentemente, foi visado pelo Papa Francisco, que disse a Vladimir Gundyayev que os homens da igreja “não devem usar a linguagem política, mas a linguagem de Deus”.

    Outra polêmica de Cirilo I ocorreu quando, em outubro de 2015, concedeu uma bênção à intervenção russa em defesa do presidente sírio, Bashar al-Assad, operação que classificou como sendo uma “guerra santa” para proteger os cristãos.

    À época, disse que a “Rússia tomou a decisão responsável de usar forças militares para proteger o povo sírio dos problemas causados pela tirania dos terroristas”, justificando que os bombardeios se tornaram necessários porque “o processo político não levou a nenhuma melhoria perceptível na vida de pessoas inocentes e estas precisavam de proteção militar”.

    Cirilo I voltou a usar essa retórica em relação ao povo ucraniano, semelhante à posição de Vladimir Putin. Para o patriarca, este é um confronto que deve ser observado como um drama religioso e nacional, uma batalha existencial em que o bem (a Rússia) se opõe ao mal (a Ucrânia), um confronto entre a tradição, os valores, a unidade e as influências estrangeiras corruptoras presentes na fronteira da Rússia.

    “Entramos em uma luta que não tem um significado físico, mas metafísico”, disse o patriarca em um sermão em 6 de março.

    Desde que Gundyayev assumiu o cargo de patriarca de Moscou, a Igreja Ortodoxa Russa tem visado as minorias religiosas, como em 2017, quando as Testemunhas de Jeová, que foram descritas como uma “seita totalitária” que queria “destruir o psicológico das pessoas e as famílias”, acabaram por ser banidas do país.

    Este conteúdo foi criado originalmente em português (pt).

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