Rússia tem “interesse estratégico” nos corredores humanitários, diz professor

À CNN Rádio, Lucas Carlos Lima avaliou que, além da questão humanitária, cidades vazias significariam menos resistência dos ucranianos às tropas da Rússia

Voluntários preparam ajuda humanitária para refugiados em Lviv, Ucrânia
Voluntários preparam ajuda humanitária para refugiados em Lviv, Ucrânia 06/03/2022REUTERS/Pavlo Palamarchuk

Bel CamposAmanda Garciada CNN

Em São Paulo

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Os corredores humanitários, abertos na Ucrânia para a saída de cidadãos das zonas de maior ataque das tropas russas, também interessam estrategicamente para a Rússia.

Em entrevista à CNN Rádio, o professor de direito internacional da UFMG, Lucas Carlos Lima, explicou: “Há algo estratégico nos corredores humanitários, que é deixar as cidades mais vazias e sem resistência. Há sempre pessoas que ficam, mas há interesse da Rússia em evacuar, como aconteceu na Síria.”

Mesmo assim, Lucas Carlos Lima destacou que a grande vantagem é que as pessoas podem sair das zonas de conflito intenso. “Até então, a Rússia não tinha anunciado um cessar-fogo de faro, o que gerava insegurança, Mariupol tentou levar comboios, mas os ataques continuavam.”

“A a promessa desta quarta-feira (9) é de que é um cessar-fogo de 12 horas e não haveria bombardeamento, vamos verificar durante o dia, há rumores de que há grupos que tentam atacar, espalhar essas iniciativas, mas não dá para saber com precisão”, completou.

O professor também chamou a atenção de que a Cruz Vermelha atua como um garantidor do funcionamento seguro do corredor humanitário e lembrou: “Mesmo os grupos que decidiram não sair das cidades têm direito à ajuda humanitária.”

Para ele, o nível da tragédia dos refugiados “é sem precedentes” e os países estão se articulando para receber essas pessoas “não só para criar situações de segurança, mas também um futuro”.

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