Sanção dos EUA prejudica combate ao crime organizado, diz especialista

Wálter Maierovitch avalia, durante o WW, que decisão americana sem coordenação com o Brasil enfraquece o combate ao crime organizado transnacional

Da CNN Brasil
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O governo dos Estados Unidos anunciou sanções contra dois cidadãos e três empresas brasileiras com supostos vínculos com o PCC (Primeiro Comando da Capital). A medida, contudo, foi criticada por especialistas pela ausência de cooperação com as autoridades brasileiras.

Em entrevista ao WW, Wálter Maierovitch, jurista e professor, avaliou que a iniciativa norte-americana, embora válida em seus objetivos, ficou comprometida pela falta de articulação internacional.

O especialista destacou que a regra básica no enfrentamento ao crime organizado foi enunciada por um magistrado que chegou a ser alvo da máfia em razão de sua atuação: se o crime é transnacional e não tem limitações de fronteiras, somente a cooperação internacional permitirá combatê-lo com eficácia. Para Maierovitch, foi exatamente esse elemento que faltou na ação americana.

Operação movimentou US$ 30 milhões, segundo o Tesouro americano

De acordo com o Tesouro dos Estados Unidos, os dois brasileiros sancionados teriam participado de uma operação que movimentou nada menos do que 30 milhões de dólares. Maierovitch ressaltou que nenhum dos dois havia sido condenado no Brasil até o momento. "Com cooperação internacional, se poderia ir muito mais longe a respeito disso", declarou, acrescentando que seria possível buscar elementos dentro das três empresas também sancionadas.

Para o especialista, a medida adotada pelos norte-americanos é, em si, um bom exemplo de como atacar a economia do crime organizado. No entanto, ela "ficou capenga", nas suas palavras, justamente pela ausência da cooperação internacional que levaria a um resultado muito mais eficaz.

Questionamentos sobre a atuação brasileira

Maierovitch também levantou questionamentos sobre o lado brasileiro da questão, indagando por que o Brasil não havia identificado nada a respeito dessas duas pessoas até então. O especialista mencionou que um dos sancionados, identificado como Victor Shimada, teria antecedentes relacionados ao futebol e, conforme consta até do próprio relatório norte-americano, já teria cumprido prisão domiciliar — embora não esteja claro se de forma cautelar ou por sentença.

"Percebe-se que isso tudo é muito ruim para o combate ao crime organizado", concluiu Maierovitch, alertando ainda que pessoas que tenham tido relações com os sancionados também podem estar sujeitas a penalidades.

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