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    Talibã anuncia governo sem mulheres e com militantes veteranos no comando

    Afeganistão se junta às fileiras de apenas 10 outros países onde não há mulheres em cargos de alto escalão

    Antes da tomada do Talibã, cerca de 27% do parlamento afegão era composto por mulheres
    Antes da tomada do Talibã, cerca de 27% do parlamento afegão era composto por mulheres Reprodução

    Kara Foxda CNN

    Apesar das recentes promessas do Talibã de respeitar os direitos das mulheres no Afeganistão, uma olhada no novo governo provisório anunciado nesta semana sugere que o governo do grupo pode muito e refletir seu regime anterior, quando as mulheres praticamente desapareceram da vida pública.

    O Talibã anunciou a formação de um governo interino, na última terça-feira (7), com um grupo de militantes veteranos no comando. No anúncio, não haviam mulheres — o cargo para o Ministério da Mulher também parece ter sido eliminado sob o novo regime.

    Antes do Talibã retomar o controle do Afeganistão, as mulheres ocupavam apenas 6,5% dos cargos ministeriais no país, de acordo com dados de janeiro de 2021 da União Interparlamentar (IPU), uma organização internacional de parlamentos nacionais com sede em Genebra, na Suíça.

    Após o grupo reassumir o governo, o país se junta às fileiras de apenas 10 outros países onde não há mulheres ocupando cargos de alto escalão no governo conforme os dados mais recentes do IPU.

    São eles:

    • Azerbaijão

    • Armênia

    • Brunei

    • Coreia do Norte

    • Papua-Nova Guiné

    • São Vicente

    • Granadinas

    • Arábia Saudita

    • Tailândia

    • Tuvalu

    • Vanuatu

    • Vietnã

    • Iêmen

    A ausência de mulheres no governo do Afeganistão contraria a tendência global. A maioria dos países tem mulheres em cargos de alto escalão no governo, e o número de nações com mulheres como chefes de Estado ou que compõe um governo é o maior de todos os tempos, de acordo com a IPU e a ONU Mulheres.

    Também não está claro o que acontecerá com o parlamento do Afeganistão, que foi efetivamente dissolvido em meados de agosto após a queda de Cabul.

    Mulheres estavam em 27% do parlamento

    Antes da tomada do Talibã, cerca de 27% do parlamento afegão era composto por mulheres, números que eram equivalentes em linha com os Estados Unidos, onde as mulheres representam 26,8% de todos os membros do Congresso, conforme a IPU.

    Os números representaram um recorde para os Estados Unidos, contribuindo para um crescimento na participação global de legisladoras do sexo feminino neste ano, segundo a IPU e a ONU Mulheres.

    O governo dos Estados Unidos fez progressos significativos no equilíbrio de gênero neste ano, observando um aumento de 17 a 46% no número de mulheres com cargos ministeriais.

    A proporção de mulheres parlamentares no Afeganistão oscilou em torno de 27% desde 2005, quando a primeira sessão do corpo eleito ocorreu após três décadas.

    De acordo com a Constituição de 2004, pelo menos 68 do total de 250 assentos da câmara do parlamento são reservados para mulheres, sendo dois assentos reservados em cada uma das 34 províncias do país.

    O Afeganistão agora também pode se juntar à Micronésia, Papua-Nova Guiné, Vanuatu e Iêmen, onde nenhuma mulher atualmente serve como membro do parlamento (em câmaras parlamentares simples ou inferiores).

    Nenhum desses países, porém, proíbe as mulheres de cargos como foi o caso da última vez em que o Talibã esteve no poder no Afeganistão, de 1996 a 2001. Apesar disso, nenhuma dessas nações tem cotas de gênero para assentos parlamentares.

    Recorde de representação feminina

    Ruanda, país do continente africano, detém o melhor recorde de representação feminina no parlamento, com 56% dos assentos em duas câmaras atualmente ocupados por mulheres. Cuba, Nicarágua, México e Emirados Árabes Unidos também estão no topo das paradas, onde as mulheres ocupam 50% ou mais dos cargos como membros do parlamento.

    Mas, apesar do aumento no número de mulheres nos níveis mais altos de poder político, desigualdades generalizadas de gênero ainda persistem, conforme os dados.
    Ainda existem apenas 22 países com mulheres como chefes de estado ou de governo.

    A Europa é o lar da maioria dos países liderados por mulheres, incluindo Dinamarca, Estônia, Finlândia, Grécia, Alemanha, Islândia e Noruega. Enquanto isso, Nepal e Bangladesh são os únicos dois países da Ásia com mulheres líderes.

    Na vizinha China, nunca houve uma mulher no Comitê Permanente do Gabinete Político do Comitê Central do PCCh, o mais alto poder e órgão de tomada de decisão no país, composto por sete pessoas. Há apenas uma mulher no Gabinete Político do Comitê Central do PCCh, um grupo formado por 25 pessoas.

    “Talibã erra no objetivo de constuir sociedade inclusive”

    Na terça-feira, durante anúncio do governo interino do Talibã, a Diretora Executiva Interina da ONU Mulheres, Pramila Patten, juntou-se a um coro de vozes internacionais expressando sua consternação com a ausência de mulheres.

    “Ao excluir as mulheres da máquina do governo, a liderança do Talibã enviou um sinal errado sobre seu objetivo declarado de construir uma sociedade inclusiva, forte e próspera”, disse ela.

    “A participação política das mulheres é um pré-requisito fundamental para a igualdade de gênero e a democracia genuína”, disse ela.

    Segundo ela, “o respeito pelos direitos humanos das mulheres é um teste de tornassol contra o qual qualquer autoridade deve ser julgada e que o estabelecimento de um governo verdadeiramente ‘inclusivo’ com a participação das mulheres é um elemento central disso. ”

    (Esse texto foi traduzido, para ler o original acesse esse link)