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    Tradicionalmente neutra, Suíça adota sanções da UE contra Rússia

    Suíça também adotou sanções financeiras contra o presidente russo Vladimir Putin, o primeiro-ministro Mikhail Mishustin e o ministro das Relações Exteriores Sergei Lavrov, com efeito imediato

    Presidente da Suíça, Ignazio Cassis (imagem de arquivo)
    Presidente da Suíça, Ignazio Cassis (imagem de arquivo) Sergei Bobylev/TASS via Getty Images

    da Reuters

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    A tradicionalmente neutra Suíça adotará sanções da União Europeia contra russos envolvidos na invasão da Ucrânia por Moscou e congelará seus bens, disse o governo nesta segunda-feira, em um forte desvio das tradições do país.

    “Em vista da contínua intervenção militar da Rússia na Ucrânia, o Conselho Federal tomou a decisão em 28 de fevereiro de adotar os pacotes de sanções impostos pela UE em 23 e 25 de fevereiro”, disse o governo em comunicado.

    A Suíça também adotou sanções financeiras contra o presidente russo Vladimir Putin, o primeiro-ministro Mikhail Mishustin e o ministro das Relações Exteriores Sergei Lavrov, com efeito imediato.

    “A Suíça reafirma sua solidariedade com a Ucrânia e seu povo; entregará suprimentos de emergência para pessoas que fugiram para a Polônia”, disse o governo, renovando sua oferta de mediar a disputa.

    Após a divulgação do comunicado, o presidente suíço, Ignazio Cassis, disse em discurso na abertura de uma sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, falou sobre a decisão do país de renunciar do compromisso com a “neutralidade suíça” e se alinhar com as medidas já adotadas pela União Europeia.

    “O Conselho Federal Suíço decidiu hoje adotar totalmente as sanções da UE”, disse Cassis durante uma coletiva de imprensa. “É uma ação sem paralelo da Suíça, que sempre se manteve neutra antes.”

    “O ataque da Rússia é um ataque à liberdade, um ataque à democracia, um ataque à população civil e um ataque às instituições de um país livre. Isso não pode ser aceito em relação ao direito internacional, isso não pode ser aceito politicamente e isso não pode ser aceito moralmente”, acrescentou Cassis.

    Falando após uma reunião extraordinária do Conselho Federal Suíço, Cassis enfatizou que “nestes dias sombrios”, a Suíça se solidariza com o povo da Ucrânia e espera que as sanções encorajem o Kremlin a “mudar de ideia”.

    “Jogar nas mãos de um agressor não é neutro. Tendo assinado a convenção de direitos humanos de Genebra, estamos vinculados à ordem humanitária”, disse Cassis. “Outras democracias poderão contar com a Suíça; aqueles que defendem o direito internacional poderão contar com a Suíça; afirma que defender os direitos humanos poderá contar com a Suíça.”

    A Suíça congelará os bens de “pessoas listadas” e também colocará em vigor uma proibição de entrada para aqueles destacados pelo pacote de sanções da UE, de acordo com o presidente federal suíço.

    Cassis disse que a Suíça está fechando seu espaço aéreo para todos os voos da Rússia, incluindo jatos particulares, com exceção de voos humanitários, voos de busca e situações de emergência.
    A ministra da Justiça suíça, Karin Keller-Sutter, disse que a proibição de entrada afetará “oligarcas de nacionalidade russa ou ucraniana que são particularmente próximos do presidente russo, Vladimir Putin”.

    “São cinco pessoas com fortes conexões econômicas na Suíça”, destacou Keller-Sutter, mas disse que, por motivos de privacidade, ela não estava nomeando esses oligarcas.

    Linha tortuosa

    A Suíça havia percorrido até agora uma linha tortuosa entre mostrar solidariedade com o Ocidente e manter sua tradicional neutralidade que o governo diz que poderia torná-la um mediador em potencial.

    Mas vinha enfrentando uma pressão crescente para ficar claramente do lado do Ocidente contra Moscou e adotar sanções punitivas da União Europeia. O governo suíço vinha dizendo que não permitiria que o país fosse usado como plataforma para contornar as sanções da UE.

    Na maior marcha pela paz em décadas, cerca de 20.000 pessoas se manifestaram na capital Berna no sábado para apoiar a Ucrânia, algumas vaiando o governo por sua política cautelosa.

    Cassis disse no domingo que os ucranianos que fogem do conflito seriam bem-vindos “por um período de transição, que esperamos seja o mais curto possível”.

    A ministra da Justiça, Karin Keller-Sutter, disse separadamente que a Suíça está pronta para receber aqueles que precisam de proteção e também para apoiar os países vizinhos afetados. “Não vamos deixar as pessoas na mão”, disse ela.

    Na semana passada, o governo suíço alterou sua lista de vigilância para incluir 363 indivíduos e quatro empresas que a UE havia colocado em sua lista de sanções para punir Moscou.

    Os russos detinham quase 10,4 bilhões de francos suíços (US$ 11,24 bilhões) na Suíça em 2020, mostram dados do Banco Nacional da Suíça.

    *Com informações da CNN Internacional

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