Tropas russas avançam na Ucrânia; veja os detalhes

Lourival Sant'Anna, analista de Internacional da CNN, mostra os principais pontos de conflitos no país e analisa o futuro da guerra

Da CNN Brasil
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A guerra na Ucrânia já está em seu 19° dia e já provocou centenas de mortes e destruição em várias cidades, além de uma nova crise de refugiados na Europa –a Organização das Nações Unidas (ONU) estima que mais de 2,8 milhões de pessoas já tenham deixado o país.

O exército russo não conseguiu conquistar a capital, Kiev, nem outras cidades importantes, como Kharkiv e Mariupol. Essa segunda passa por uma "crise humanitária", como classificam as autoridades ucranianas, devido ao cerco da Rússia.

Lourival Sant'anna, analista de Internacional da CNN, explicou o avanço das tropas russas sobre a Ucrânia e os principais pontos de conflito no país. (Veja a explicação completa no vídeo acima)

Avanços pelo Norte, Sul e Leste

A Rússia conseguiu avanço pelas regiões Sul –subindo pela Crimeia e pelo Mar de Azov– e Leste, a partir das regiões separatistas de Luhansk e Donetsk. Os russos, porém, não tiveram êxito na tentativa de capturar a cidade portuária de Mariupol, onde o cerco de dias causa falta de água e combustível. De acordo com autoridades ucranianas, já são mais de 2.200 mortos na região.

Outros dois pontos de resistência são Mikolaiv e Odessa, também ao Sul.

Odessa é uma cidade portuária muito importante, dando acesso ao Mar Negro. Sem conquistar Mikolaiv, ainda não foi possível avançar para essa região por terra.

O exército invasor também avançou pela parte Norte da Ucrânia, por mais que também não tenha conseguido nenhuma conquista de cidades mais expressivas na região. Kharkiv, a segunda maior cidade do país, por exemplo, sofre com bombardeios intensos, mas continua sob controle ucraniano.

Kiev resiste

A capital ucraniana também não foi dominada. Nas últimas semanas, informações de um comboio russo com mais de 60 quilômetros de extensão alertavam para a iminência de uma possível "empreitada final" na região. Ainda assim, isso não aconteceu.

Esse agrupamento militar se dispersou e foi redistribuído em grande parte, de acordo com a empresa Maxar Technologies, que tem fornecido imagens de satélite do conflito.

Nesta segunda-feira (14), ao menos duas pessoas morreram e três foram hospitalizadas depois que um prédio residencial em um subúrbio da capital foi atingido por um bombardeio.

Rússia utiliza mísseis de cruzeiro

No domingo (13), o centro de treinamento de Yavoriv, perto de Lviv, matou dezenas de pessoas e feriu muitas outras.

Lourival Sant'anna explicou que o bombardeio aconteceu a partir do território russo, com um míssil de cruzeiro. Este artefato pode percorrer até 1.000 km.

O governo russo diz que matou 180 mercenários. A Ucrânia, por sua vez, afirma que 35 pessoas morreram.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, novamente alertou a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) de que a Rússia pode atacar os países do bloco que estão na região, visto que o caso deste domingo aconteceu próximo à fronteira com a Polônia.

Outros dois aeródromos perto de Lviv também foram destruídos por ataques de precisão.

Essas instalações são de extrema importância para o esforço de guerra ucraniano, visto que o espaço aéreo ainda é um local de disputa –algo reconhecido pelo porta-voz do Pentágono, John Kirby.

Se a Rússia conquistar superioridade aérea, é possível que os bombardeios em cidades-chave se intensifiquem, tendo ainda mais precisão e auxiliando as tropas terrestres. Isso poderia levar a outro ataque a Kiev.

Kherson está dominada

A cidade de Kherson está reconhecidamente dominada pelas tropas russas tanto pelos ucranianos quanto pelo governo da Rússia.

Kherson é uma cidade estrategicamente importante em uma enseada do Mar Negro com uma população de quase 300 mil habitantes.

O controle de Kherson foi considerado um momento significativo no conflito, pois representa a primeira grande cidade da Ucrânia tomada pela Rússia.

"Campanha está longe de terminar"

Conforme as conversas diplomáticas entre os dois países apresentam falhas consecutivas, os confrontos armados se arrastam pela terceira semana.

Sant'anna analisa que, observando os objetivos da Rússia e as dificuldades enfrentadas, a campanha militar está "longe de terminar".