Trump deverá ceder para conter danos da guerra no Irã, aponta professor

Ao Hora H, Gunther Rudzit, professor de Relações Internacionais da ESPM, afirma que o Irã está em posição vantajosa e que republicano precisará ceder para evitar acordo desfavorável

Da CNN Brasil
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O conflito entre os Estados Unidos e o Irã coloca o governo americano em uma posição delicada, segundo Gunther Rudzit, professor de Relações Internacionais da ESPM ao Hora H.

Gunther avaliou que o Irã está saindo vencedor do confronto e que Trump será obrigado a fazer concessões para evitar um desfecho politicamente prejudicial.

Irã resiste e mantém posição de força

Para Gunther, o fato de o regime iraniano não ter sido derrotado já representa, por si só, uma vitória.

"Quem está ganhando essa guerra é o Irã", afirmou o especialista.

"O regime iraniano não foi derrotado. Está enfrentando a maior máquina de guerra do mundo e continua no poder."

Essa resistência, segundo ele, confere ao país do Golfo Pérsico uma vantagem considerável nas negociações em curso.

Ponto central das negociações: recursos financeiros congelados

Um dos principais obstáculos para um acordo, conforme Gunther, é a questão dos recursos financeiros iranianos congelados em bancos americanos desde a Revolução Islâmica, em 1979.

O Irã exige a liberação imediata de aproximadamente US$ 25 bilhões, enquanto o governo americano prefere que os valores sejam liberados gradualmente, à medida que o lado iraniano cumpra os termos do acordo — modelo semelhante ao que foi negociado durante o governo Obama.

"Isso é muito importante para o Irã para reconstruir o país depois desses ataques", explicou o especialista, ressaltando que a situação econômica e social iraniana já é bastante crítica.

O especialista alertou para o risco político que Trump enfrenta dependendo do nível de concessões que precisar fazer.

Segundo Gunther, se o acordo final resultar em condições mais favoráveis ao Irã do que aquelas negociadas pelo governo Obama — acordo do qual Trump retirou os Estados Unidos em seu primeiro mandato —, as críticas serão severas.

"As críticas vão ser muito fortes, inclusive de republicanos", disse.

"Há republicanos que já eram contrários a essa guerra e que vão ser ainda mais contrários se o Irã sair mais forte do que estava antes dela."

Petróleo como fator de pressão global

Gunther também comparou o impacto econômico deste conflito com o da guerra na Ucrânia, destacando que o petróleo é um recurso muito mais abrangente e sensível do que os grãos agrícolas exportados pela Ucrânia e pela Rússia.

"O petróleo é muito mais abrangente e sensível do que a agricultura, abrangente em termos de atingir o mundo inteiro", afirmou.

Para o especialista, o Irã só poderá ser pressionado a negociar caso o conflito comece a afetar seriamente a economia global e, consequentemente, o crescimento chinês — o que poderia levar Xi Jinping a intervir diretamente junto à liderança iraniana.

No plano doméstico americano, Gunther apontou que Trump já estaria se preparando para uma possível perda do controle da Câmara dos Deputados pelo Partido Republicano, contando ainda com a manutenção do Senado como escudo contra um eventual processo de impeachment.

"Para ele está complicado, mas ele ainda joga com essa dinâmica da política interna americana", concluiu o especialista.

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