Ucrânia rejeita demanda de governo russo para rendição de Mariupol

Cidade está sob constante pressão do exército da Rússia desde o início do mês e moradores sitiados já sofrem com escassez de recursos

Civis deixam Mariupol, cidade ucraniana fortemente atingida pela Rússia desde o início da invasão à Ucrânia
Civis deixam Mariupol, cidade ucraniana fortemente atingida pela Rússia desde o início da invasão à Ucrânia Foto: Maximilian Clarke/SOPA Images/LightRocket via Getty Images

Andrew CareyJosh PenningtonTim ListerYulia Shevchenkoda CNN

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O prazo emitido pela Rússia para que as autoridades de Mariupol entregassem a cidade foi ignorado após os ucranianos rejeitarem os termos da demanda russa.

A cidade portuária de Mariupol, que antes da guerra abrigava cerca de 450.000 pessoas, está sob ataque constante das forças russas desde o início de março, com imagens de satélite mostrando destruição significativa em áreas residenciais.

Embora o ultimato russo parecesse oferecer àqueles que optaram por se render uma passagem segura para fora da cidade, não oferecia tais garantias para os restantes.

A Rússia tem sido repetidamente acusada de atacar civis, com moradores presos descrevendo o ataque como “um inferno”.

Os ataques russos levaram a um colapso total nos serviços básicos – com os moradores sem acesso a gás, eletricidade ou água. Corpos estão sendo deixados na rua porque ou não há ninguém para recolhê-los, ou é simplesmente muito perigoso tentar.

Um funcionário da cidade disse que as pessoas estão com medo de deixar seus abrigos subterrâneos até mesmo para pegar itens essenciais, o que significa que eles estão tentando beber menos água e comer menos comida, saindo apenas para preparar refeições quentes.

A cidade está cada vez mais sofrendo o peso do violento ataque da Rússia ao país, com bombardeios dia e noite, disse o major Denis Prokopenko, do Regimento da Guarda Nacional Azov.

A ofensiva russa incluiu ataques mortais a uma maternidade e bombardeios separados de uma escola de teatro onde centenas de pessoas estavam abrigadas – cujas perdas ainda são desconhecidas enquanto as operações de resgate continuam.

Durante semanas, autoridades ucranianas acusaram as forças russas de bloquear corredores de evacuação que permitiriam aos moradores uma fuga segura da cidade. O assessor do prefeito de Mariupol Petro Andrushenko disse no Telegram que pessoas que tentavam fugir da cidade em seus carros estavam sendo baleadas por forças russas. O governo ucraniano disse que um comboio de socorro para a cidade sitiada foi repetidamente bloqueado.

No domingo, o Conselho Municipal de Mariupol disse que os moradores estão sendo levados para a Rússia contra sua vontade pelas forças russas. Os moradores capturados foram levados para campos onde as forças russas checaram seus telefones e documentos, depois redirecionaram alguns para cidades remotas na Rússia, disse o conselho. A Rússia nega as acusações.

A cidade é um porto estratégico que fica em um trecho da costa que liga a região leste de Donbas à península da Crimeia, ambas sob controle russo desde 2014. As forças russas parecem estar tentando tomar controle total da área para criar um corredor terrestre entre as duas regiões, pressionando Mariupol com força militar brutal.

“É impossível encontrar palavras que possam descrever o nível de crueldade e cinismo com que os ocupantes russos estão destruindo a população civil da cidade. Mulheres, crianças e idosos permanecem na mira do inimigo. pessoas pacíficas desarmadas”, disse o conselho da cidade de Mariupol na semana passada.

Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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