ACM Neto: ainda não há elementos para falar em impeachment de Bolsonaro

Prefeito de Salvador afirma que discussões neste momento devem focar no combate ao novo coronavírus

Da CNN, em São Paulo
07 de maio de 2020 às 08:44 | Atualizado 07 de maio de 2020 às 09:33

Em entrevista à CNN, o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM-BA), disse nesta quinta-feira (7) que, apesar da crise política, ainda não há elementos suficientes para iniciar um processo de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

“É preciso ter calma. Temos um problema muito grande para enfrentar no Brasil. Exige união do presidente, prefeitos, governadores, Congresso Nacional”, afirmou ele, ressaltando que, neste momento, o foco das discussões deve estar no combate ao novo coronavírus e em formas de administrar a crise.

"Com os elementos que estão colocados nesse momento, com o que podemos enxergar claramente, não há ainda elementos para o prosseguimento de um processo de impeachment", declarou ACM. "Lamento que o Brasil, além de viver toda essa crise na saúde e na economia, ainda tenha que viver uma crise política institucional e conviver com esse tipo de especulação."

Crise política e 'toma lá, dá cá'

Sobre as acusações recentes feita pelo ex-ministro de Justiça e Segurança Pública Sergio Moro contra Bolsonaro, o prefeito disse que elas devem ser conduzidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). "Esses órgãos devem apurar se houve conduta inadequada ou ilícita praticada pelo presidente."

Já com relação ao apoio do DEM, do qual é presidente nacional, ao governo Bolsonaro, ACM disse que seu partido tem postura de independência. “Em tudo o que for bom para o país, o presidente terá o apoio do Democratas. Mas não vamos aceitar discutir cargos e troca de espaços.”

O prefeito afirmou que Bolsonaro foi eleito com o discurso de acabar com a prática conhecida como “toma lá, dá cá”, e o loteamento de ministérios e estatais custou caro ao país. “Eu disse ao presidente que se ele quiser o apoio do DEM, basta discutir política de alto nível."

Auxílio federal a municípios

Questionado sobre a aprovação da ajuda financeira do governo federal a estados e municípios, ocorrida nessa quinta-feira (6), e as medidas de exceção aprovadas em outros setores que não o da saúde, como o congelamento de salários de profissionais da educação, por exemplo, ACM respondeu que é favorável às medidas determinadas.

"Acho que o Congresso Nacional acertou quando exigiu contrapartidas de prefeitos e governadores", afirmou ele. "Não é compatível nesse momento a gente imaginar reajuste de salários para servidores públicos."

O prefeito declarou ainda que a versão final do texto aprovado não agradou a todos, mas é o que foi possível fazer na situação atual. E ele fez um alerta: "O Congresso ainda vai precisar continuar discutindo com prefeitos o financiamento da saúde. Muitos custos estão conosco e os recursos assegurados até agora são insuficientes."

Bairros de Salvador em lockdown

Neste sábado (9), alguns bairros de Salvador terão interdição completa para tentar conter o avanço da Covid-19. ACM Neto informou que essa determinação busca evitar um lockdown (bloqueio total das atividades) em toda a cidade. “Estamos fazendo uma análise setorializada, verificando a condição de cada bairro”, principalmente onde há uma taxa maior de contágio, explicou o prefeito.

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Nessas regiões, todo o comércio estará proibido de funcionar, incluindo a atividade de ambulantes e feirantes, e haverá restrição de mobilidade, com o fechamento de ruas e avenidas, diminuindo o acesso de carros e transportes públicos.

“Essa é a penúltima medida antes de uma mais dura e radical, que é a decretação do lockdown. Espero que a gente não tenha que chegar lá”, disse. O prefeito acrescentou ainda que as medidas têm caráter educativo e, por enquanto, apesar da presença da Polícia Militar e da Guarda Civil Metropolitana nas ruas, não haverá punição para quem desrespeitar a determinação.

Ele explicou que esses bairros contarão com ações voltadas à população, como realização de testes rápidos para diagnosticar a doença, medição de temperatura, distribuição de máscaras, e até de cestas básicas para os ambulantes que estiverem impedidos de trabalhar.

Sobre a situação dos leitos de UTI (unidade de terapia intensiva) para pacientes infectados em Salvador, ACM disse que há demora para credenciá-los e a cidade está com dificuldade para habilitá-los. “O governo federal entra com R$ 1,6 mil por leito. Aqui a média do gasto com cada leito de UTI é de R$ 4 mil. Ou seja, o dinheiro do governo federal não dá para custear sequer metade do leito em Salvador”, afirmou ele. “Tudo que gastamos agora é com recursos do Tesouro Municipal."