42% dos candidatos do Enem não têm computador em casa


Luiz Fernando Toledo Da CNN, em São Paulo
14 de maio de 2020 às 04:04 | Atualizado 14 de maio de 2020 às 11:40
Jovens andam pela favela Metrô-Mangueira, situada ao longo da Avenida Radial Oes

Em estados das regiões norte e nordeste, percentual de candidatos do Enem sem computados se aproxima de 70%

Foto: EBC

Quase metade (42,36%) dos candidatos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), principal meio de acesso ao ensino superior no país, não tem computador em casa.

Em estados das regiões norte e nordeste, esse índice é ainda pior e pode chegar a quase 70%. Em um cenário em que escolas e cursinhos não têm aulas presenciais por causa da Covid-19, o quadro é preocupante para aqueles que vão disputar vagas e pode acirrar desigualdades.

A prova acontece nos dias 1º e 8 de novembro (provas presenciais) e 22 e 29 de novembro (provas digitais).
 
As inscrições para o maior exame do país foram abertas nesta terça-feira, 12. Segundo balanço divulgado pelo Ministério da Educação (MEC), já há mais de 2,3 milhões de inscritos.
 
As informações foram compiladas pela CNN a partir dos microdados mais recentes do Enem disponíveis no site do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira (Inep), órgão vinculado ao Ministério da Educação e responsável pelo exame, da edição de 2018 do exame. Os números foram semelhantes em edições anteriores.

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A situação é mais grave nos estados do Maranhão (67,6%), Pará (66,51%), Amapá (66%), Acre (62,99%), Amazonas (61,42%), Piauí (60,55%) e Ceará (60,11%).
 
Chama a atenção a disparidade de acesso no país, já que alguns estados do Sul e Sudeste registram menos da metade desses índices.

Em Santa Catarina, em melhor situação, 26,05% não tinham computador em casa. Em São Paulo, que registra a maior quantidade de candidatos no país, o índice é o segundo menor, 27,82%.
 
Os dados revelam ainda que um em cada quatro candidatos não tinham nem mesmo acesso à internet, o que pode dificultar acesso a conteúdos até mesmo pelo celular. A desigualdade, novamente, é destaque: no Pará, mais da metade (54,82%) dos candidatos não tinham o acesso. Em Santa Catarina, 10,27% e em São Paulo, 13,05%.
 
Foi realizado ainda um terceiro recorte, de candidatos que não tinham nenhum aparelho de celular em casa, mas este número é baixo em todos os estados — o mais alto foi no Ceará, com 4,68% dos candidatos, e 1,07% em Santa Catarina.
 
Entidades como a União Nacional dos Estudantes (UNE) e União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) tentam, por via judicial, adiar o exame, por causa dos impactos da pandemia do coronavírus. O pedido foi negado por um ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) nesta quarta-feira (13).

O presidente Jair Bolsonaro chegou a afirmar que pode adiar "um pouco" o exame, mas que este deve ser feito em 2020.

Prova digital

O exame deste ano traz duas modalidades de prova: o formato impresso (com aplicação prevista em 1º e 8 de novembro) e digital (nos dias 22 e 29 de novembro). A escolha pela prova impressa ou digital foi feita na inscrição e não poderá ser alterada. 

A estrutura dos dois exames será a mesma. Serão aplicadas quatro provas objetivas, que incluem 45 questões cada uma, além da redação em língua portuguesa.

Segundo o Inep, a implantação do Enem digital será progressiva até 2026 e atenderá até 100 mil candidatos neste primeiro ano. 

Inscrições até 22 de maio

As inscrições para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020 começam nesta segunda-feira (11) e seguem até 22 de maio.

Para se inscrever, os candidatos devem fazer o cadastro no site oficial da prova dentro do prazo, com o preenchimento de um formulário e - no caso de alunos sem isenção — o pagamento da taxa de inscrição, que neste ano custa R$ 85 e deve ser paga entre 11 e 28 de maio, em agências bancárias, casas lotéricas e correios.