O Grande Debate: Enem 2020 deve ser adiado por causa da pandemia?

Gisele Soares e Thiago Anastácio também abordaram a antecipação de feriados na cidade de São Paulo

Da CNN, em São Paulo
19 de maio de 2020 às 10:59 | Atualizado 19 de maio de 2020 às 11:40

O Grande Debate da manhã desta terça-feira (19) abordou o projeto de lei que adia o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano, por conta da pandemia do novo coronavírus. O PL 1.277/2020, da senadora Daniela Ribeiro (PP-PB), suspende a aplicação do exame em casos de calamidade pública. A proposta pode sofrer alterações durante a votação na Casa, que está marcada para hoje.

O mediador da edição matinal do quadro, Reinaldo Gottino, trouxe à tona um levantamento realizado pela CNN que mostrou que quase metade dos candidatos do Enem, principal meio de acesso ao ensino superior no país, não tem computador em casa. Ele perguntou aos advogados Thiago Anastácio e Gisele Soares se "Adiar o Enem é a solução?".

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Ao defender o adiamento, Anastácio lembrou a desigualdade no país e o papel social da prova. "Historicamente, o Enem serve para equilibrar uma disparidade educacional que existe na qualidade entre as escolas públicas e privadas para o acesso às principais universidades, que são públicas", disse o advogado.

"Com 2 milhões de pessoas sem acesso a educação a distância a partir de meios eletrônicos, a camada mais pobre não tem como se preparar como as camadas mais ricas. Ou seja, perderão os pobres. As universidades públicas, que são gratuitas, continuarão lotadas de pessoas com condições de pagar, enquanto pobres não terão acesso", completou.

Gisele Soares adotou os argumentos do ministro da educação, Abraham Weintraub, durante entrevista à CNN na última sexta-feira (15) e defendeu que a decisão sobre o adiamento não deve ser precipitada. "Já em maio, frustar essas pessoas e dizer a elas que o esforço delas não seria avaliado e recompensado com uma boa nota do Enem neste ano é muito antes do prazo", citou a advogada.

"Até lá, muitas outras possibilidades ou soluções poderão surgir, inclusive a compensação dessas horas perdidas", acrescentou.

'Superferiadão'

O Debate Novo Dia colocou em pauta a antecipação de feriados na cidade de São Paulo, que foi aprovada na segunda-feira (18) pela Câmara Municipal de São Paulo e assinada pelo prefeito Bruno Covas (PSDB). A intenção do município é aumentar o índice de isolamento social na cidade, que registra números menores em dias úteis, e ajudar o comércio na futura reabertura da economia.

Perguntados sobre a avaliação deles para a chances do impacto da medida no isolamento social, Gisele Soares e Thiago Anastácio criticaram a nomenclatura de 'superferiadão', mas aprovaram a iniciativa da prefeitura.

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"É uma medida que, se bem comunicada e justificada à população, poderá ser efetiva. Minha preocupação inicial é com a nomenclatura, que dá a entender que as pessoas estariam liberadas para ter um pouco lazer", considerou Gisele. "É uma boa medida se todos compreenderem a importância dela, para que possamos atingir os níveis de isolamento", acrescentou.

Thiago também fez a crítica, defendeu que ninguém está preso em casa e viu o lado econômico da antecipação. "O nome é bastante infeliz. Dá a indicação de lazer, mas os lazeres possíveis, hoje, são domiciliares. A ação do governo é inteligente para que, lá na frente, a gente não tenha interrupções nos processos comerciais, industriais e empresariais, para que a economia já volte a galope e com força", afirmou.