O Grande Debate: A operação da PF na residência oficial de Wilson Witzel

Thiago Anastácio e Gisele Soares também falaram sobre a declaração de Carla Zambelli sobre que PF deflagrar operações contra governadores

Da CNN, em São Paulo
26 de maio de 2020 às 10:51 | Atualizado 26 de maio de 2020 às 11:41

O Grande Debate desta terça-feira (26) abordou a Operação Placebo, da Polícia Federal (PF), que tem como alvo o governador do estado, Wilson Witzel (PSC), e cumpre mandados de busca e apreensão em vários endereços no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Os agentes da PF foram ao Palácio das Laranjeiras, residência oficial do governador do estado, na casa onde Witzel morava antes de ser eleito e no escritório em que Helena Witzel, primeira-dama do estado atua.

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O mediador da edição matinal do quadro, Reinaldo Gottino, questionou os advogados Thiago Anastácio e Gisele Soares sobre a avaliação deles em relação à operação da PF. "Óbvio que a operação não foi criada de um dia para o outro, mas nessa madrugada, no Rio de Janeiro, aconteceu a nomeação do Tácio Muzzi na superintendência da PF por uma publicação no Diário Oficial da União (DOU), e sabemos que Witzel é um dos principais adversários políticos do presidente Jair Bolsonaro – inclusive dois governadores são xingados na reunião ministerial, Witzel e João Doria. Vocês veem alguma relação política nisso?", perguntou. A hipótese foi negada pela PF.

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Thiago Anastácio classificou a correlação como "absolutamente promíscua". "É óbvio que isso vai entrar no debate público cedo ou tarde. A PF e o Superior Tribunal de Justiça são órgãos sérios por natureza. Essa investigação já deve ter mais tempo", defendeu. " É impossível fazer essa ilação e eu não concordo que seja feita inclusive no debate público. Se um dia se verificar algo, que se vá atrás disso, mas partindo desse princípio, não", acrescentou.

Gisele Soares concordou com o colega, mas lançou a possibilidade dessa relação acontecer eventualmente como desdobramento da operação. "Não há essa ligação. Pode acontecer no futuro de haver essa relação? Sim, poderá acontecer. Mas cada investigação tem que se ater aos fatos que visa apurar", disse. "Muzzi já era o nome desde sempre anunciado como o escolhido para a superintendência. Muitas operações virão sem qualquer conotação de perseguição", completou.

O Grande Debate: os advogados Thiago Anastácio e Gisele Soares
Foto: CNN (26.mai.2020)

'Covidão'

Gottino também colocou em pauta as declarações da deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), que disse, em em entrevista à Rádio Gaúcha na segunda-feira (25), que a Polícia Federal (PF) deflagraria nos próximos meses operações contra governadores.

“A gente já teve algumas operações da Polícia Federal que estavam ali, na agulha para sair, mas não saiam. A gente deve ter, nos próximos meses, o que vamos chamar de ‘Covidão’ ou de... não sei qual vai ser o nome que eles vão dar, mas já tem alguns governadores sendo investigados pela Polícia Federal”, disse a parlamentar na entrevista.

Para Thiago Anastácio, o caso é sério e "macula o nome da PF". "Ela parece ter informações privilegiadas sobre a PF, o que já é um indício muito ruim. Como é que ela, como deputada federal, sabe que operações da PF estavam sendo armadas? Me parece que há um vazamento para ela", avaliou.

Gisele Soares considerou que pode ser uma coincidência, mas que "a deputada vai precisar explicar quais são as fontes dela". "É preciso que se analise o que exatamente ela disse e se desceu a detalhes para dizer a operação seria no Rio de Janeiro. É preciso que ela tenha essa oportunidade de explicar o que disse", afirmou.