Flordelis já ameaçou testemunhas e usa cargo contra a investigação, diz promotor

Sérgio Lopes, do MP-RJ do Rio de Janeiro, disse que a deputada Flordelis liderou trama para matar o marido e ter acesso ao dinheiro da família

Da CNN
25 de agosto de 2020 às 15:05 | Atualizado 25 de agosto de 2020 às 20:03

Responsável pelas apurações da morte do pastor Anderson do Carmo, marido da deputada federal Flordelis (PSD), o promotor Sérgio Lopes, do Ministério Público do Rio de Janeiro, afirmou à CNN, nesta terça-feira (25), que a parlamentar é uma ameaça ao processo investigativo já que usa o cargo para tentar influenciar nas apurações.

"Sendo a mentora desse crime, ela tentou, durante todo o tempo, interferir na investigação e nos processos penais que já correm desde o ano passado. Ela é uma ameaça concreta para a investigação, já ameaçou testemunhas e tentou implantar documentos falsos apontando para falsos autores e mandantes", afirmou Lopes, que disse que o afastamento do cargo é a melhor alternativa no momento.

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O promotor Sérgio Lopes fala à CNN sobre o caso da deputada federal Flordelis
Foto: CNN (25.ago.2020)

"O afastamento seria necessário porque ela usa das prerrogativas do cargo para tentar influenciar na investigação", acrescentou ele, que explicou que a prisão preventiva só não foi pedida ainda porque ela segue no exercício do cargo de deputada federal. 

Nesta terça-feira, o PSD suspendeu as atividades partidárias da deputada federal Flordelis. A decisão foi protocolada na Mesa da Câmara dos Deputados na manhã desta terça-feira (25). Na suspensão, a direção nacional do partido alega ter tomado a medida "tendo em vista os acontecimentos públicos divulgados pela mídia".

O promotor comentou as afirmações da Polícia Civil do RJ de que Flordelis manteria o relacionamento com a vítima como uma encenação. 

"Flordelis sempre dependeu muito de sua imagem para angariar poder político e religioso, que conseguiu se eleger com a parlamentar mais votada no Rio de Janeiro. Então fazia parte disso externar uma família padrão, muito amorosa e que seria paradigma para a sociedade, os fiéis e eleitores, só que não é isso o que demonstra a investigação", afirmou Lopes.

"Provas mostram uma trama encabeçada pela Flordelis para matar o pastor e, assim, ter acesso completo e livre ao dinheiro arrecadado pelo grupo familiar, por meio das atividades como cantora, parlamentar e pastora. Isso ficou muito claro dentro do inquérito", concluiu.

Flordelis está proibida de sair do Brasil por decisão da juíza Nearis dos Santos Carvalho Arce, da 3ª Vara Criminal de Niterói. A deputada foi denunciada pelo Ministério Público do RJ por mandar matar o marido e pastor Anderson do Carmo em junho de 2019. À CNN, o advogado Anderson Rollemberg, que representa a deputada, afirmou, nesta terça, que tanto o passaporte comum quanto o diplomático de Flordelis foram colocados à disposição da Justiça.

(Edição: Leonardo Lellis)