Búzios registra protesto contra ordem da Justiça que impede entrada de turista

Prefeitura confirmou à CNN que a Procuradoria Geral do Munícipio de Armação de Búzios está recorrendo da decisão do Tribunal de Justiça do Rio

Camille Couto e Thayana Araújo, da CNN, do Rio de Janeiro
17 de dezembro de 2020 às 11:38 | Atualizado 18 de dezembro de 2020 às 08:29


Donos de hotéis e pousadas fazem manifestação em frente à Prefeitura de Búzios, na manhã desta quinta-feira (17), por conta da decisão judicial que pede um novo fechamento da cidade, e começa a valer a partir de hoje.

A prefeitura de Búzios confirmou à CNN que a Procuradoria Geral do Munícipio de Armação de Búzios está recorrendo da decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, ainda nesta manhã,  e garantiu que desde o dia 21 de outubro, data em que a atual gestão assumiu o governo, vários itens do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC ) começaram a ser cumpridos, como o aumento do número de leitos de internação para Covid-19 e a disponibilização de tenda de atendimento especial para pacientes com sintomas da doença, além da testagem em massa da população.

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Protesto em Búzios contra determinação de lockdown imposta pela Justiça
Foto: Reprodução/Redes Sociais

Com o impacto econômico devido à pandemia, os setores diretos e indiretos esperavam recuperar a renda com as festas do final de ano. A cidade está nos primeiros lugares do ranking de procura por turistas. A taxa da ocupação hoteleira já estava próxima de chegar a 100%.

Segundo a Associação Comercial de Búzios (ACEB), a ação considerada “extrema” pode acarretar “resultados traumáticos” a manutenção sócio econômica do município com consequências que se estenderão para além deste ano. Em nota, a associação informou que já está marcada reunião com o prefeito em exercício e sua procuradoria ainda hoje, além de uma tentativa de audiência com o juiz da comarca local, para um possível acordo com os setores da sociedade, visando o bem comum.

A ACEB ainda ressalta que a decisão judicial em vigor obrigada o fechamento de praias, quadras poliesportivas, estabelecimentos comerciais e hotéis, pousadas e outros meios de hospedagem. Restaurantes voltam a funcionar somente em sistema de delivery e só está permitido o funcionamento de lojas que prestem serviço essencial, como farmácias, mercados, hortifrutigranjeiros, padarias, lojas de produtos para animais, distribuidoras de gás e água mineral, respeitando a ocupação máxima de 30% de sua capacidade.

Um levantamento da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro mostrou que a cidade de Búzios, na Região dos Lagos é a maior com número de beneficiários do auxílio emergencial no estado do Rio de Janeiro. São mais de 58% da população contemplada. No levantamento das cidades, a capital ocupou a 73ª posição, com mais de 30% dos habitantes tendo recebido o apoio financeiro do governo federal. Em todo o estado do Rio de Janeiro, o número chegou a mais de 5,5 milhões de beneficiários, um índice de 32,19% dos habitantes.

Turistas são proibidos de entrar na cidade
O pedido da Defensoria Pública (DPRJ) para o novo lockdown, foi atendido, na tarde desta quarta-feira (16) pelo juiz Raphael Baddini, titular da Segunda Vara da cidade, que proibiu a entrada de turistas e exigiu a restrição das atividades comerciais e de lazer do município litorâneo da Região dos Lagos, por conta do aumento significativo de casos da Covid-19 e o não cumprimento de decisões judiciais.
A cidade entra na Bandeira Vermelha, que acende o alerta do risco elevado de colapso da rede de saúde e necessidade de isolamento social completo.

Apenas o funcionamento dos serviços essenciais estão autorizados. Fica vetada a entrada de turistas e pessoas de fora de Búzios, a entrada de veículos que atuam como transporte de passageiros por aplicativo, transporte intermunicipal, táxi e transporte individual de passageiros. Os hóspedes que estão na cidade terão o prazo de 72 desocupar os quartos.