Estratégias usadas no litoral de SP, testes e barreira sanitária têm limitações

Especialistas dizem que, embora ajudem, as estratégias não são completamente eficazes para frear a propagação do novo coronavírus

Marianna Gualter, do Estadão Conteúdo
29 de março de 2021 às 08:35 | Atualizado 29 de março de 2021 às 08:37
Barreira sanitária contra Covid-19 realizada pela prefeitura de São Sebastião
Barreira sanitária contra Covid-19 realizada pela prefeitura de São Sebastião, no litoral norte de SP
Foto: Divulgação/Elton Ramos/Prefeitura de São Sebastião

Preocupadas com a propagação do novo coronavírus no feriado prolongado decretado na capital de São Paulo, cidades do litoral paulista têm exigido testagem para a entrada de turistas. Especialistas dizem que, embora ajude, as estratégias não são completamente eficazes para frear o vírus.

Desde sexta-feira (26), para entrar em Ilhabela é preciso apresentar teste negativo de RT-PCR feito no máximo 48 horas antes do embarque na balsa de acesso. A regra não se aplica a moradores, trabalhadores de serviços essenciais e quem tomou duas doses da vacina. Válida até dia 4 de abril, a medida é acompanhada por outras restrições, como ocupação máxima de 50% para hotéis e pousadas.

Em São Sebastião, o PCR negativo não é obrigatório para quem chega, mas exigido de hóspedes no check-in. O exame também pode ser apresentado como alternativa à testagem rápida, feita na entrada da cidade em barreiras sanitárias. Se há resultado positivo, o visitante fica proibido de entrar.

A barreira em São Sebastião foi desfeita no sábado (27), a pedido da polícia, após congestionamento no dia anterior, mas foi retomada no domingo (28). Para o prefeito Felipe Augusto (PSDB), isso inibe, principalmente, o turista de um dia. Recém-chegados são submetidos ainda a questionário epidemiológico e há medição de temperatura.

Especialistas fazem ressalvas e defendem o isolamento como melhor solução. Presidente do Instituto Questão de Ciência, Natalia Pasternak não indica testes rápidos em situações como a atual. Segundo ela, por ser baseado em anticorpos, o modelo tem grande chance de falsos positivos e negativos. Há vários riscos de falha, como em quem já teve a doença e se recuperou, episódios de reinfecção e mesmo nos dias imediatamente após a contaminação, quando o corpo ainda não respondeu à invasão do vírus.

Ela também reprova a aferição de temperatura. "Não serve para quase nada, no máximo vai dar sorte de alguém estar com febre e mandar de volta para casa. Muitas pessoas que não têm febre podem carregar o vírus; são os assintomáticos", diz.

Vasco Ariston Azevedo, cientista da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), concorda. Apesar de considerar o PCR uma opção mais eficiente do que o teste rápido, ele faz ponderações.

"Se tem PCR positivo, quer dizer que a pessoa está contaminada com o vírus naquele momento e deve ficar isolada. Mas não é 100% eficaz, muitos estão contaminados mesmo tendo PCR negativo."

A falha pode ocorrer por causa do momento da coleta. "Se você se contaminar hoje, só em aproximadamente cinco dias terá carga viral detectável." 

Com informações de Priscila Mengue, do Estadão Conteúdo