Mensagens de babá obtidas pela polícia dizem que Monique foi enforcada por Jairo

Após a suposta agressão, Monique teria tentado expulsar Jairinho de casa, mas exigido que ele continuasse a pagar suas contas se não quisesse ser prejudicado

Iuri Corsini e Thayana Araújo, da CNN, no Rio de Janeiro
04 de maio de 2021 às 17:25 | Atualizado 04 de maio de 2021 às 22:04

 

Em uma conversa obtida pela polícia entre a babá de Henry Borel e seu pai, a funcionária relatou que a mãe do menino, Monique Medeiros, havia sido agredida pelo vereador Jairo Souza Santos Júnior (sem partido), o Dr. Jairinho, dentro do apartamento do casal. 

Na ocasião, após ser enforcada por Jairo, Monique disse para o parlamentar deixar sua casa, mas com a condição de continuar pagando suas contas, segundo o relato feito pela funcionária da família a seu pai. Caso contrário, segundo ela, Monique iria prejudicar o vereador. 

As mensagens são do dia 3 de março deste ano, cinco dias antes da morte de Henry. 

“As malas dele está lá (sic). Já para ele pegar. Ele (Jairinho) bateu nela (Monique). Enforcou. E ai ela disse que ele vai sair, mas que vai ficar pagando as coisas dela, se não ela vai ‘f...’ ele. Aí ele tá com o rabo entre as pernas. Aí passou o dia todo ligando pra ela (Monique), conversando, chamando de amor, como se nada tivesse acontecido”, escreveu a babá de Henry para seu pai, via WhatsApp.

Para os investigadores, essa conversa “se mostra extremamente relevante, pois, além de evidenciar agressão sofrida por Monique, também revela que ela não se sentia subjugada por Jairinho; pelo contrário, já que, conforme narrado, ela ameaçou ‘f...’ ele caso ele não ficasse pagando as coisas dela”.

Agressões

Anteriormente, investigadores da Polícia Civil fluminense relataram à CNN que entre as mensagens recuperadas nos telefones do casal não havia indícios que Jairinho agredia fisicamente Monique. 

Apesar de não constar nos depoimentos de Monique e da babá, essa agressão sofrida pela mãe de Henry Borel foi relatada à CNN por sua defesa. Thiago Minagé, advogado de Monique, tentou usar este fato para convencer os investigadores a ouvir um novo testemunho de sua cliente - algo que foi negado pelos delegados.

Em seus dois depoimentos concedidos à Polícia Civil do Rio de Janeiro, a babá de Henry Borel não mencionou tais agressões. 

Nesta terça-feira (4), o delegado Antenor Lopes afirmou que o titular da 16ª DP (Barra da Tijuca) já instaurou inquérito para apurar um possível crime de falso testemunho cometido pela babá de Henry. 

Segundo Antenor, o testemunho dela pode se configurar em uma “omissão penalmente relevante”, mas que ela demonstrou medo em relação a sua integridade física. Ele disse, ainda, que a babá pode se retratar ao “falar toda a verdade” e “ficar livre disso”. 

Procurada, a defesa de Monique disse que ainda não havia tido acesso ao relatório final da polícia, mas voltou a criticar o inquérito policial, afirmando que este foi “finalizado prematuramente com erros investigativos”. Os advogados também disseram que Monique é “mais uma das muitas vítimas, com o terrível diferencial da trágica morte de Henry”.

Já as defesas da babá de Henry e de Jairo Souza Santos Júnior, até o momento do fechamento desta matéria, não se pronunciaram. 

O casal Monique e Jairinho foi indiciado por homicídio duplamente qualificado. Jairinho também foi indiciado por dois supostos episódios de tortura a Henry em fevereiro desse ano. Um deles, no dia 12 de fevereiro, em que as mensagens e uma chamada de vídeo mostram que a babá comunicou o ocorrido a Monique, que estava em um salão de beleza e demorou para retornar ao apartamento. 

Por esse motivo, ela responde por uma figura jurídica pouco comum: tortura por omissão.

À esquerda o vereador Dr. Jairinho, à direita Monique Medeiros com o filho Henry
À esquerda o vereador Dr. Jairinho, à direita Monique Medeiros com o filho Henry Borel
Foto: Montagem CNN