Barragem de MG com risco de romper está vertendo água por todos os lados

Em entrevista à CNN, porta-voz dos bombeiros, Pedro Aihara, comentou a situação de risco na cidade de Pará de Minas, as operações de buscas em Capitólio e a liberação da BR-040 após dique transbordar

Léo LopesElis Francoda CNN

em São Paulo

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Os moradores da região da Usina do Carioca, no centro-oeste de Minas Gerais, foram surpreendidos na noite deste domingo (9) por um alerta para que deixassem suas casas.

A prefeitura do município de Pará de Minas divulgou um comunicado pelas redes sociais indicando um alto risco de rompimento da barragem da Usina.

De acordo com o porta-voz do Corpo de Bombeiros mineiro, Pedro Aihara, a situação está sendo monitorada a todo instante, com equipes realizando a retirada de pessoas da região.

Em entrevista à CNN nesta segunda (10), ele explicou que essa barragem represa água para o funcionamento de uma usina hidrelétrica.

“Em decorrência das fortes chuvas que aconteceram na região do município de Pará de Minas ontem, houve um aumento no fluxo de água dessa região. Como o aumento foi muito expressivo, a gente tem água vertendo tanto por cima quanto pelos lados da barragem”, informou.

O tenente comentou que as comportas da barragem já foram abertas. Porém, o fluxo de água está tão intenso que, mesmo assim, foi necessário o alerta de evacuação preventiva e emergencial das comunidades que vivem na região.

O tenente ainda prevê que a região central de Minas Gerais tenha bastante intensidade de chuvas até terça-feira (11). “Os resquícios de pancadas [podem ir] até sexta-feira, então nossos efetivos estão reforçados”, disse.

Buscas em Capitólio

O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais retomou, na manhã desta segunda (10), as operações de busca no cânion de Capitólio, onde 10 pessoas morreram após o desabamento de uma rocha. Oito vítimas já foram identificadas.

O porta-voz dos bombeiros disse que, a princípio, não existe nenhuma outra pessoa desaparecida. Ele explica que os mortos no acidente estavam em uma mesma lancha, e a lista de passageiros indicava que somente 10 pessoas estavam a bordo.

Porém, os bombeiros continuam no local porque, por causa da violência do impacto da rocha contra as vítimas, nem todos os corpos foram recuperados de forma íntegra.

“A gente permanece fazendo buscas no local para a recuperação desses segmentos corpóreos menores, e também dos destroços e outros indícios das embarcações que possam subsidiar as investigações do inquérito que vai ser feito para apurar as circunstâncias desse acidente”, afirmou Pedro Aihara.

Ele ainda explica que não há previsão para o término do trabalho dos bombeiros e mergulhadores no local. “Vamos concentrar todo nosso trabalho em finalizar a recuperação hoje, e aí a gente vai poder fazer essa avaliação [sobre o fim dos trabalhos]”, declarou.

“A medida que conseguirmos recuperar todo esse material, vamos optar pela finalização da operação”, completou.

BR-040 parcialmente liberada após dique transbordar

O trecho da BR-040 afetado pelo transbordamento de um dique, no município de Nova Lima, no último sábado (8), já teve uma das pistas liberada nesta segunda-feira (10).

De acordo com o porta-voz dos bombeiros, a rodovia que liga Minas Gerais ao Rio de Janeiro permanece apenas com o sentido rumo ao Rio de Janeiro bloqueado.

O dique da Mina de Pau Branco chegou a ser classificado com nível de emergência máximo pela empresa responsável, mas o tenente Aihara disse que a situação já foi reclassificada do grau de risco de nível 3 para o nível 2.

Ele explicou que o transbordamento do dique ocorreu porque uma pilha de estéril da mineradora cedeu após as fortes chuvas que atingiram a região.

“A pilha estéril acabou caindo na área de contenção de águas, e provocou um movimento de onda que fez o curso de água saltar por cima daquele dique”, disse.

“A gente ainda está com chuvas muito fortes na região, mas já conseguimos estabilizar a situação. O que é importante é que a estrutura desse dique está integra. Não apresenta nenhum tipo de falha estrutural”, concluiu.

Tenente Pedro Aihara, porta-voz do Corpo de Bombeiros de MG. / CNN / Reprodução

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