Chuvas em Petrópolis (RJ) deixam ao menos 152 mortos

Última atualização indica que 191 pessoas ainda estão desaparecidas; previsão da Defesa Civil é de chuva fraca a moderada nas próximas horas

Léo LopesCamille CoutoPauline Almeidada CNN*

em São Paulo e no Rio de Janeiro

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As fortes chuvas que atingiram a cidade de Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, desde a última terça-feira (15), deixaram ao menos 152 mortos, segundo o Corpo de Bombeiros do estado. São 165 desaparecidos e 797 desabrigados.

Os conceitos de desabrigado e desalojado são diferentes. Desabrigado é aquele que perdeu a casa e está em um abrigo público. O desalojado teve de deixar sua casa –não necessariamente a perdeu– e não está em abrigos, mas sim na casa de um parente, amigo ou conhecido, por exemplo.

O presidente Jair Bolsonaro (PL) visitou a cidade, nesta sexta-feira (18), para acompanhar os trabalhos das equipes. O governo federal liberou um repasse inicial de R$ 2,33 milhões. A autorização partiu do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR). As portarias que liberam os recursos foram publicadas em edição extra do Diário Oficial da União (DOU), na noite de quinta-feira (17).

Às 6h40 desta sexta, a Defesa Civil informou que núcleos de chuva estavam se deslocando em direção ao município. “Previsão de chuva fraca a moderada nas próximas horas”, alertou.

Até às 7h55, os moradores foram alertados nove vezes pelas sirenes, que indicam situação de risco para deslizamento e serve de indicativo para que as pessoas se afastem do local. As sirenes foram tocadas em sete locais diferentes de Petrópolis.

A Polícia Civil disse, na manhã da sexta (18), que 117 corpos de vítimas da tragédia já estavam no IML (Instituto Médico Legal), mas apenas 57 foram identificados. Vinte vítimas eram menores de idade.

Até a última atualização das autoridades, 849 pessoas estavam acolhidas em 19 pontos de apoio, que foram abertos em escolas locais da rede pública.

Nesses pontos, a população é atendida por equipes com assistentes sociais, profissionais de Saúde, Educação, agentes comunitários, além da própria Defesa Civil.

A previsão é de mais chuvas nas próximas horas, com risco de novos deslizamentos. Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), em sua previsão de riscos geo-hidrológicos para este sábado, “permanece muito alta a possibilidade de ocorrência de eventos de movimentos de massa na Região Serrana do Rio de Janeiro, especialmente em Petrópolis, devido aos elevados acumulados de precipitação nas últimas 72 horas e nas últimas semanas”.

Verbas

O governador do Rio de Janeiro sancionou nesta quinta-feira (17) o projeto de lei que aprovou, na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), uma doação de R$ 30 milhões para que a cidade de Petrópolis. Com isto, as destinações financeiras dos legislativos chegam a R$ 79 milhões.

Chuva esperada para um mês

O coordenador do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), meteorologista Marcelo Seluchi, afirmou à CNN que a chuva em Petrópolis de terca-feira (15) foi a maior registrada na história da cidade.

Os registros começaram a ser feitos em 1932.

Em apenas seis horas foram registrados 260mm de chuva – a maior parte, 230mm, em três horas. Isso era o esperado para o mês inteiro para a cidade. Os danos são maiores porque a tempestade foi muito concentrada concentrada no Centro da cidade.

Para o professor do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (USP) Pedro Cortês, “infelizmente essa tragédia pode estar apenas começando”.

Em entrevista à CNN na quinta-feira (17), o especialista alertou para a previsão do aumento de chuvas na região neste final de semana. “Deveria ter uma ação forte do pode público de retirar essas pessoas para evitar que elas venham a morrer, porque novos deslizamentos poderão ocorrer em função dessas chuvas”, avaliou.

O professor considera que a tragédia de Petrópolis é até mesmo pior do que a ocorrência de um terremoto, já que na região serrana do Rio, “a situação permanece em função da ocorrência de novas chuvas e da dificuldade em remover essas pessoas que estão em situação de risco”.

Em 2017 foi concluído um plano de redução de riscos na cidade de Petrópolis; segundo o estudo, mais de 15 mil casas estavam em área de risco alto ou muito alto.

O engenheiro geotécnico da Theopratique, Luiz Carlos Dias de Oliveira, um dos responsáveis pelo projeto, afirmou à CNN, na última quinta-feira, que as ações propostas no estudo mitigariam os riscos na região de morros da cidade.

Layane Serrano, Vinícius Tadeu, Leandro Resende, Tiago Tortella e Anna Gabriela Costa, da CNN, contribuíram para esta reportagem

 

 

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