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    Chuvas, queda das temperaturas e mais: saiba como fica o tempo em abril

    Dias de calor, comuns em março, abrem espaço para as temperaturas mais amenas

    No Sudeste, abril começa com algumas pancadas de chuva típicas de verão
    No Sudeste, abril começa com algumas pancadas de chuva típicas de verão Paulo Carneiro/Photopress/Estadão Conteúdo

    Lucas Rochada CNN em São Paulo

    No mês de abril, que começa neste sábado (1º), o clima típico de outono ganha espaço pelo Brasil. Dias de calor, comuns em março, abrem espaço para as temperaturas mais amenas.

    “Os dias com madrugadas amenas ou frias também aumentam em abril pela climatologia e em alguns anos ocorrem até episódios de frio muito intenso. Em 1999, por exemplo, chegou a nevar no começo da segunda quinzena de abril por conta de uma intensa massa de ar frio associada a um poderoso ciclone que trouxe enorme ressaca e danos na costa gaúcha”, afirma a meteorologista Estael Sias, da MetSul.

    A especialista acrescenta que outra característica do mês de abril é o aumento da frequência de dias com registro de nevoeiro e neblina entre a madrugada e o período da manhã. O fenômeno ocorre à medida que cresce o número de madrugadas de temperatura mais baixa. Em algumas ocasiões, o nevoeiro pode ser denso e perdurar por várias horas.

    Influência do oceano Pacífico

    Nos últimos três anos, o clima foi influenciado pelo La Niña com padrões de chuvas em diferentes partes do mundo. Para este ano, o outono deve sofrer a influência do El Niño que causa um aquecimento fora do normal das águas do Oceano Pacífico na parte equatorial, o que por sua vez influencia a superfície da água e o clima de outras partes do globo.

    Em abril está prevista uma condição de neutralidade no Pacífico. No entanto, no Pacífico Leste já se instala um evento de El Niño costeiro com enorme aquecimento das águas nos litorais do Peru e do Equador.

    A meteorologista do MetSul define abril como “clima de meia estação”. “Março ainda tem muitos dias de calor e maio já costuma registrar algumas jornadas gélidas. Com efeito, na primavera, setembro tem extremos de frio e calor enquanto outubro não raro apresenta dias muito quentes e alta incidência de temporais. Assim, abril é o mês do ano em que o padrão de temperatura é o menos extremado entre todos os meses do ano”, afirma.

    Segundo Estael, dias de muito frio ou de muito calor são muito menos comuns que em qualquer outro mês do calendário. Portanto, o predomínio é de dias com temperaturas mais agradáveis.

    Porto Alegre, por exemplo, tem em abril médias históricas de temperatura que oferecem um grande conforto térmico. A temperatura média mensal era de 20,1ºC na série 1961-1990 e subiu para 20,5ºC nas normais do período 1991-2020. A mínima média na série 1961-1990 foi de 16,3ºC ao passo que no intervalo 1991-2020 se elevou para 16,8ºC. A máxima média em Porto Alegre nas normais 1961-1990 foi de 25,0ºC e nas normais 1961-1990 se elevou para 26,4ºC.

    “Assim, abril ficou mais quente nos últimos 30 anos na capital gaúcha, o que acompanha uma tendência de grande parte do mundo que se tornou mais quente durante as últimas décadas”, detalha Estael.

    Tempo em diferentes regiões

    No Sudeste, abril começa com algumas pancadas de chuva típicas de verão, mas no decorrer do mês o tempo seco passa a predominar. Não são esperadas temperaturas muito elevadas, principalmente no interior de São Paulo e Minas Gerais, onde as temperaturas ficam ligeiramente abaixo da média.

    Áreas perto da costa em São Paulo e o Rio de Janeiro podem ter chuva acima da média pelo maior transporte de umidade do oceano, mas, no geral, grande parte do Sudeste terá um mês de abril com precipitação abaixo da climatologia histórica. Em abril, a chuva ficará levemente acima da média nos quatro estados do Sudeste, mas bem menores os acumulados se comparados com o mês de março de 2023.

    Massas de ar frio de fraca a moderada intensidade passam pelo Leste da região trazendo quedas de temperatura e inaugurando um padrão típico de outono. Na faixa litorânea de São Paulo e do Rio de Janeiro, alguns eventos de chuva extrema podem ocorrer durante a passagem de frentes frias.

    A temperatura ficará levemente abaixo da média em abril do Centro Norte do estado de São Paulo, como entre as regiões de São Carlos, Ribeirão Preto, Franca, Barretos, São José do Rio Preto e no norte da região de Campinas, como do Triângulo Mineiro ao Norte de Minas Gerais; dentro da média do centro do estado de São Paulo ao Nordeste de Minas Gerais, passando pelo Sul de Minas Gerais, e acima da média do Sudoeste do estado de São Paulo ao Espírito Santo, passando pelo Leste de Minas Gerais – incluindo as capitais paulista, fluminense e capixaba.

    No Nordeste, chove bastante em abril. Grandes volumes são esperados no Norte da região até maio, com diminuição significativa em junho. As temperaturas, principalmente as máximas, ficam abaixo da média neste período por conta da nebulosidade persistente. Na região, em média costuma chover bem do Norte do Maranhão ao norte do Piauí, e parte do litoral do Ceará nos meses de março, abril e parte de maio, assim como no litoral do Rio Grande do Norte ao litoral de Alagoas e no litoral norte e na capital da Bahia, ao longo do Outono.

    O mês de abril deverá ser de muita chuva na costa Norte e faixa Leste do Nordeste, com acumulados acima da média em todos os estados, e um forte destaque para os estados do Maranhão, do Piauí, do Rio Grande do Norte e do Ceará, onde terão bastante precipitação; assim como ao longo do mês, onde a chuva aumenta e fica bem mais volumosa no litoral da Bahia, em Sergipe, Alagoas e Pernambuco.

    Os volumes de chuva aumentam gradualmente sobre a região Sul em abril, e um padrão mais regular deve ocorrer entre maio e junho. A chuva terá variabilidade regional no Sul do Brasil com precipitação abaixo, perto e acima da média dependendo da área de cada estado. Setores mais ao Sul do Rio Grande do Sul e ao Norte do Paraná têm maior probabilidade de chuva abaixo da média. Pontos do Leste catarinense e da metade Norte gaúcha têm maior chance de chuva superior à média.

    O mês será chuvoso no Norte do país, principalmente no Pará e em Tocantins, onde os volumes ficam acima da média. A temperatura acompanha esta tendência, ficando abaixo da média nessas áreas, devido à chuva persistente, mas mantendo uma condição de tempo abafado. Nas outras áreas, a temperatura sobe no decorrer do outono e fica acima da média no Amazonas, Roraima, Rondônia e Acre.

    Em abril, ainda ocorrem pancadas de chuva típicas de verão entre o Norte de Mato Grosso e Goiás. Na segunda quinzena do mês, predominam os dias de tempo firme. A temperatura fica ligeiramente abaixo da média entre o Leste de Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal.

    “Há um razoável consenso entre os modelos de clima que este mês não será marcado por grandes extremos. O que os dados mostram é uma tendência de predomínio de dias com temperatura agradável, o que não impede que em alguns faça calor”, diz a meteorologista.

    No Brasil Central, a tendência é de temperatura acima a muito acima da média com reflexos em muitas áreas do Sudeste e do Centro-Oeste. Espera-se, assim, um mês com temperatura acima dos padrões históricos em grande parte do Centro-Sul do Brasil.

    Distribuição de chuvas na primeira quinzena

    A primeira quinzena de abril apresenta padrões diferentes de chuva entre as regiões.

    O Centro-Norte do país pode apresentar acumulados de chuva significativos, que podem superar os 100 mm. Já no litoral de São Paulo e do Paraná, além do Oeste do Rio Grande do Sul, são previstos acumulados de chuvas que podem chegar os 70 mm. Em áreas do interior do Nordeste, grande parte da região Sudeste e Centro-oeste, são previstos baixos acumulados de chuva, com totais inferiores a 30 mm.

    Para a Região Norte são previstos volumes de chuvas maiores que 70 mm em praticamente toda a região, com exceção de áreas centrais do Pará, Leste do Amazonas e do Tocantins, onde os totais de chuva podem superar os 100 mm. Na região Nordeste, os maiores volumes de chuva se concentrarão em áreas do Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco e podem ultrapassar os 100 mm. Nas demais áreas, os totais de chuva serão menores e não devem ultrapassar os 60 mm.

    Na Região Centro-Oeste, há previsão de acumulado de chuva intensa em grande parte do Mato Grosso. De maneira geral, os totais de chuva poderão variar entre 60 e 90 mm. Nas demais áreas, são previstos poucas chuvas com valores inferiores a 40 mm. Já na Região Sudeste, os maiores acumulados de chuva podem ocorrer no litoral de São Paulo e Rio de Janeiro, podendo superar os 70 mm. Nas demais áreas, os volumes de chuva não devem ultrapassar 60 mm.

    Na Região Sul os maiores acumulados de chuva são previstos para o Leste do Paraná e de Santa Catarina, além do Noroeste e litoral do Rio Grande do Sul com volumes chegando a 70 mm. Nas demais áreas, os acumulados de chuva poderão variar entre 10 e 30 mm.

    (Com informações da MetSul, da Climatempo e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais)