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    Entenda operação da PF que busca documentos da Precisa no caso da Covaxin

    Objetivo de operação desta quinta (28) era obter registros da venda da vacina Covaxin ao governo; segundo a CGU, empresa teria apresentado documentos falsos

    João de Marida CNN

    Em São Paulo

    Polícia Federal (PF), a Controladoria-Geral da União (CGU) e o Ministério Público Federal (MPF) realizaram, nesta quinta-feira (28), uma nova operação contra a Precisa Medicamentos no caso envolvendo a venda da vacina Covaxin ao Ministério da Saúde. As autoridades cumpriram 11 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Campinas (SP) e em Brasília.

    Em setembro, a Precisa já havia sido alvo de uma operação da PF também relacionada com a compra da Covaxin. Na ocasião, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão na sede da Precisa, em Barueri (SP), e na Luft Healthcare, que armazena os produtos da empresa, em Itapevi (SP).

    Na operação desta quinta-feira (28), o objetivo era obter documentos da venda da vacina ao governo — que seria intermediada pela Precisa. Além da empresa, o empresário Francisco Maximiano, proprietário da companhia, Emanuela Medrades, diretora da Precisa, e Marcos Tolentino, advogado suspeito pela CPI de ser sócio oculto da Precisa, foram alvos dos agentes.

    Segundo a CGU, a Precisa teria apresentado documentos falsos não só ao Ministério da Saúde, mas também à própria controladoria.

    Ao menos 50 policiais federais e oito auditores da CGU participam da operação, cujos mandados foram expedidos pela 12ª Vara Criminal Federal do Distrito Federal.

    O Ministério da Saúde pretendia comprar 20 milhões de doses da Covaxin, vacina produzida na Índia pela Bharat Biotech, ao custo aproximado de R$ 80 a dose — a mais cara adquirida pelo governo. Seriam empenhados R$ 1,6 bilhão.

    Para ter ideia, a dose da vacina AstraZeneca produzida pelo Fiocruz custa US$ 3,16 (cerca de R$ 15,85). A Coronavac, do Instituto Butantan, R$ 58,20 por dose.

    O contrato do governo federal com a Precisa foi suspenso e, depois, cancelado, após a CPI da Pandemia revelar o depoimento de Luis Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde que dizia sofrer pressão para dar continuação ao contrato.

    Na primeira operação da PF, em setembro, o vice-presidente da CPI da Pandemia, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirmou à CNN que a operação foi necessária pela recusa da Precisa em enviar documentos à Comissão Parlamentar de Inquérito.

    Sede da Precisa Medicamentos na cidade em Barueri (SP)
    Sede da Precisa Medicamentos na cidade em Barueri (SP) / CNN Brasil

    Entenda o caso Precisa

    Precisa Medicamentos entrou na rota da CPI da Pandemia após o servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo Miranda, irmão do deputado federal Luis Miranda (DEM-DF), ter alegado que foi pressionado por representantes da empresa para acelerar a compra da Covaxin.

    A companhia era representante da Bharat Biotech, laboratório indiano responsável pela produção do imunizante, na negociação de 20 milhões de doses com o governo federal.

    Documentos enviados pelo Ministério das Relações Exteriores à CPI revelaram que o valor negociado — de US$ 15 por dose pela Precisa para a compra da Covaxin — era 1.000% superior ao estimado pela farmacêutica em agosto de 2020.

    Após o levantamento das irregularidades pela comissão, o contrato foi rescindido pelo Ministério da Saúde no dia 27 do mesmo mês.

    O deputado federal e líder do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na Câmara dos DeputadosRicardo Barros (PP-PR), é tido como um dos supostos intermediadores junto ao Ministério da Saúde para garantir o contrato à Precisa.

    Quando foi convocado à CPI, em 12 de agosto, Barros afirmou que não participou das negociações junto à Saúde e que “eventualmente, se solicitado, posso ter buscado auxiliar a todos que me procuraram”.

    Francisco Maximiano, dono da empresa, por sua vez, disse durante depoimento à CPI, em 19 de agosto, que conhecia Barros, mas negou ter pedido favorecimento.

    O representante da empresa Marconny Faria também afirmou não conhecer Barros, em depoimento à CPI, em 15 de setembro.

    Marconny, que foi à CPI como responsável pelo lobby entre a Precisa e o governo federal, se tornou investigado da comissão.

    O que diz a Precisa

    Em nota enviada à CNN, a Precisa afirmou que “tem colaborado com as autoridades e com os órgãos de fiscalização e controle, apresentando todos os documentos e prestando todos os esclarecimentos”.

    “Toda a documentação referente à negociação com o Ministério da Saúde já foi disponibilizada a todos os órgãos competentes, quer por iniciativa da própria Precisa, quando solicitada, quer por outras medidas de busca e apreensão que já foram anteriormente determinadas, o que demonstra que a operação de hoje era simplesmente desnecessária”, diz texto assinado pelos advogados Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso.

    “A Precisa continua à disposição da Justiça e seguirá prestando todos os esclarecimentos necessários, com o firme propósito de provar a lisura de todas as sua ações”.

    (*Com informações de Murillo Ferrari, Bianca Camargo, Julyanne Jucá e Vianey Bentes, da CNN)