Grande Rio registra média de três adolescentes baleados por mês

Levantamento feio pelo Instituto Fogo Cruzado mostra que ações policiais são o principal motivo dos jovens serem feridos por arma de fogo

Munição de armas de fogo
Munição de armas de fogo Foto: Steve Buissinn/Pixabay

Mylena Guedesda CNN

no Rio de Janeiro

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Três adolescentes foram baleados por mês, em 2021, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. O levantamento feito pelo Instituto Fogo Cruzado, que analisou o período entre 1° de janeiro e 21 de setembro, mostra que 30 jovens foram vítimas de arma de fogo no Grande Rio este ano. Desses, 10 morreram.

A principal causa para esse cenário são ações policiais. Dois em cada três adolescentes foram baleados durante operações realizadas este ano, ou seja, um total de 20 adolescentes. Outros motivos, em proporção bem menor, foram execução, tentativa de homicídio, tentativa de roubo e briga.

Três desses adolescentes foram atingidos por balas perdidas dentro de casa.De acordo com a diretora executiva da plataforma Fogo Cruzado, Cecília Oliveira, é dever do estado zelar pela integridade física da população.

“Os dados levantados mostram que estas pessoas não estão seguras nem em casa. É preciso que o governo do estado apresente soluções para essa violência e garantir que pequenos cidadãos cresçam de maneira sadia”, afirma.

Dos adolescentes baleados, os meninos foram os mais afetados e representam 80% dos feridos. Segundo o levantamento, o local que se mostrou mais perigoso para adolescentes na região metropolitana foi São Gonçalo. A cidade registrou 12 jovens baleados. Em seguida, aparecem a capital fluminense, com 9 vítimas, Niterói (03), São João de Meriti (02), Japeri (02) e Maricá (02).

Apesar de preocupante, este é o segundo ano desde 2017 com menos adolescentes vitimados. O número de jovens baleados só é maior que 2020, quando 28 meninos e meninas foram atingidos ao todo. Nos últimos cinco anos, um adolescente foi baleado a cada cinco dias. Dos 378 jovens feridos por arma de fogo, 190 morreram.

Em junho do ano passado, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal determinou a proibição de operações policiais em favelas do Rio durante a pandemia. Segundo Fachin, as ações só podem acontecer em hipóteses consideradas excepcionais e devem ser justificadas por escrito pela autoridade competente.

*Sob supervisão de Helena Vieira

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