Há chance de novo desmoronamento, diz PM sobre acidente em gruta
Segundo Tenente-coronel Rodrigo Quintino, Polícia Militar e Corpos de Bombeiros Militares não sabiam de treinamento de bombeiros civis na gruta
Uma gruta desabou em Altinópolis, na região de Ribeirão Preto, neste domingo (31) durante treinamento de 28 bombeiros civis e deixou vítimas soterradas.
Uma foi resgatada com vida na manhã deste domingo (31) e 18 não foram atingidas. Uma morte foi confirmada até o momento, e oito pessoas ainda estão desaparecidas.
De acordo com o tenente-coronel da Polícia Militar, Rodrigo Quintino, há chances de novos desmoronamentos no local, conhecido como "Gruta Duas Bocas”.
“As chuvas só aumentam mais o risco [de novos desmoronamentos], mas essa é a nossa missão, é a missão da Polícia Militar e a missão do Corpo de Bombeiros do estado de São Paulo. E nós trabalharemos incansavelmente até a retirada da última vítima", afirmou em entrevista à CNN.
Quintino classificou a operação como complexa e explicou que os Bombeiros estão trabalhando na estrutura interna da gruta a fim de garantir mais segurança.
“A grande dificuldade é que na caverna ainda há muita instabilidade. Os bombeiros estão trabalhando em duas frentes: uma é de escoramento das paredes da gruta, para melhorar a segurança e o acesso ao local, a outra questão é a da retirada [das pessoas]".
De acordo com ele, a dificuldade está, também, no caminho para se alcançar a caverna. "Para vocês terem uma ideia nós temos uma trilha dentro de mato fechado de mais ou menos vinte a trinta minutos de caminhada para chegar até a gruta".
Ele diz ainda que o volume de terra que desabou não é muito grande, mas o terreno está "completamente instável e está chovendo muito no local, o que aumenta muito o risco da segurança das equipes que estão trabalhando”.
O acidente ocorreu com uma equipe de 28 bombeiros civis que passavam por um treinamento feito por uma empresa privada.
O tenente-coronel destacou, no entanto, que a Polícia Militar e o Corpos de Bombeiros Militares não foram avisados de que haveria essa atuação na gruta, que está situada em uma propriedade privada.
“O bombeiro profissional da Polícia Militar é quem tem a competência de trabalhar nesse tipo de acidente -- e é o que estamos fazendo neste momento. O que tínhamos aqui [na hora do acidente] era uma escola de bombeiros civis que estavam fazendo um exercício sem nenhum controle e muito menos autorização da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros do Estado", diz.
A recomendação de Quintino para os familiares das vítimas que ainda estão soterradas é que procurem o Posto de Comando da Polícia Militar da região. "Aqui nós temos equipes da Defesa Civil para orientar e dar o acolhimento humanizado que estas pessoas merecem."
De acordo com a Polícia Militar, não é possível saber o estado de saúde das nove pessoas que ainda não foram retiradas da caverna.


