MPF instaura procedimento para investigar demoronamento de casarões em Ouro Preto

Ângelo Oswaldo (PV), prefeito da cidade, afirmou que o acidente "atingiu duas casas que estavam fechadas há alguns anos, porque essa área é de risco"

Douglas Portoda CNN*

em São Paulo

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O Ministério Público Federal (MPF) instaurou, nesta quinta-feira (13), um procedimento administrativo para investigar as causas do desabamento de imóveis históricos após o deslizamento de parte do Morro da Forca, na cidade de Ouro Preto, em Minas Gerais.

“Diante dos evidentes danos ao patrimônio cultural [o conjunto arquitetônico de Ouro Preto foi declarado patrimônio mundial pela Unesco em 1980], o MPF vai apurar as circunstâncias em que o fato se deu e pedir esclarecimentos dos órgãos envolvidos na tutela dos referidos bens quanto ao motivo do incidente, dimensão dos danos e seus efeitos”, afirma o órgão em nota.

Em ofício enviado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o MPF solicita que sejam apresentados os danos causados, que seja indicado se há outros imóveis em risco e as providências que serão tomadas para a preservação histórica do local.

O órgão ainda solicitou à Prefeitura de Ouro Preto informações sobre o desabamento da encosta, bem como as medidas adotadas para a prevenção de danos futuros e se existe risco de um novo cedimento.

O prefeito de Ouro Preto, Ângelo Oswaldo (PV), afirmou, em entrevista à CNN, que o acidente “atingiu duas casas que estavam fechadas há alguns anos, porque essa área é de risco”.

Segundo Oswaldo, o maior casarão atingido pela terra havia sido construído em 1906, e era uma das primeiras construções arquitetônicas neocoloniais da cidade. O outro imóvel era mais recente e servia de armazém comercial.

O chefe do Executivo local ainda explica que existe uma preocupação histórica com a geologia da cidade. “Nosso solo oferece muitos riscos porque temos possibilidade de deslizamentos em vários setores da cidade, que está dentro de um grande cânion. Um desfiladeiro formado por duas serras. Então nós temos sempre muito cuidado”, explicou.

“Ouro Preto tem uma carta geológica feita por técnicos que mostra todos os pontos de risco da cidade. Isso é monitorado pela nossa Defesa Civil”, complementou.

(*Com informações de Leonardo Lopes, Julyanne Jucá e Layane Serrano, da CNN)

 

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