Museu Nacional lança campanha de doação e prevê abertura de área externa em 2022

Diretor do museu reforça importância de contribuições e parcerias nacionais e internacionais para que espaço possa reabrir com acervos históricos

Palácio de São Cristóvão, sede do Museu Nacional, na Quinta da Boa vista, no Rio de Janeiro
Palácio de São Cristóvão, sede do Museu Nacional, na Quinta da Boa vista, no Rio de Janeiro Wikimedia Commons

Beatriz Puente e Iuri Corsinida CNN

Rio de Janeiro

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Três anos após o incêndio de grandes proporções que destruiu o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, a direção da instituição e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) promoveram uma coletiva virtual nesta quinta-feira (2) para anunciar um pacote com novidades, prazos, ações e financiamentos para a reconstrução do local. Foi lançada oficialmente campanha para recomposição do acervo e uma Declaração de Compromisso para a Recomposição das Coleções do Museu Nacional.

O custo estimado para a recuperação é de R$ 380 milhões e a reabertura total da instituição está prevista, por enquanto, para 2026. Até o momento, no entanto, a verba para revitalização do local ainda não foi atingida. Faltam cerca de R$ 150 milhões para se chegar ao valor pretendido.

Segundo o diretor do Museu Nacional, Alexander Kellner, é extremamente importante que haja iniciativas em prol da recomposição do acervo que, segundo ele, é a razão de ser do museu.

Temos total consciência de que não teremos sucesso sem a intensa colaboração nacional e internacional. Precisamos de exemplares de animais e plantas, de fósseis e minerais, objetos etnográficos, históricos, arqueológicos e tantos outros”

Alexandre Kellner, diretor do Museu Nacional

Kellner disse ainda que as exposições permanentes ficarão em espaço de 5,5 mil m² e serão necessárias 10 mil peças que vão ser apresentadas ao longo de quatro circuitos expositivos.

A gestão do museu também informou que, para marcar a celebração do Bicentenário da Independência, o Jardim das Princesas (na área externa do palácio) e ao menos parte da fachada e do telhado do bloco 1 serão abertos ao público em setembro de 2022.

Algumas doações já foram anunciadas, como a coleção etnográfica africana do pesquisador Wilson Savino, a doação do diplomata aposentado do Itamaraty Fernando Cacciatore, que doou 27 peças Greco-Romanas do Indígena Tonico Benites com Coleção Etnográfica Indígena, do músico Nando Reis, que doou Coleção de Moluscos, dentre outras diversas doações de objetos de diferentes culturas. A ideia, segundo Kellner, é recompor os quatro circuitos expositivos do Museu Nacional/UFRJ: Histórico (1.000 peças), Universo e Vida (4.500 peças), Diversidade Cultural (2.500 peças) e Ambientes Brasileiros (2.000 peças).

Do acervo original, a maior parte das peças que resistiram fazia parte da coleção de meteorítica. Entre elas, o meteorito do Bendegó, o maior já encontrado no Brasil, com 5,3 toneladas e localizado no sertão da Bahia em 1784.

O Museu Nacional é considerado o maior museu de história natural da América Latina. O local tinha um acervo de 20 milhões de itens, como fósseis, múmias, peças indígenas e livros raros. Em 2018, o Museu Nacional foi destruído por um incêndio causado por um curto-circuito em um aparelho de ar-condicionado. O fogo se alastrou rapidamente e destruiu grande parte do acervo, que contava com peças nacionais e internacionais.

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