COP30: o que esperar da última semana da cúpula no Brasil
Segundo o analista Pedro Côrtes, no CNN Novo Dia, durante esta última semana da COP30 em Belém, as negociações devem se concentrar em resolver impasses sobre recursos para países em desenvolvimento e formas de pagamento
Após uma primeira semana com diversos impasses, a COP30 começa sua segunda e última semana em Belém (PA) trazendo desafios cruciais nas negociações sobre o financiamento climático global, com o Brasil assumindo papel de mediador entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. A análise é do professor e analista de meio ambiente Pedro Côrtes no CNN Novo Dia.
Segundo o analista, com a chegada de outros ministros de Estado, as negociações devem evoluir do âmbito técnico para o político, ampliando as possibilidades de acordo. "A objetividade dos próximos rascunhos e documentos será um indicador importante do progresso das discussões."
Impasses no financiamento
O principal ponto de divergência está na forma como serão distribuídos os recursos para ações climáticas. "Países em desenvolvimento defendem o uso de recursos públicos e pagamentos diretos, enquanto nações industrializadas propõem desembolsos graduais e participação de investimentos privados", explica Côrtes.
Ainda segundo o professor, o Brasil apresentou avanços significativos com propostas como o Fundo Florestas Para Sempre (TFFF), que prevê captação de recursos similar a um fundo de investimento tradicional. "Parte dos rendimentos retorna aos investidores, enquanto outra parcela é destinada ao pagamento pela preservação de florestas globais."
Outro tema em debate é a frequência de apresentação do NDC (documento sobre o compromisso de redução nas taxas de emissão) por cada país. O impasse aqui também continua sendo financeiro. "Os países em desenvolvimento dizem que o custo é caro devido à necessidade de equipes técnicas para a sua realização, levantando mais uma vez o ponto do financiamento climático", conclui o analista.



