“O Bope sempre trabalha na legalidade”, diz à CNN militar que atuou no Salgueiro

Policial foi ouvido na Delegacia de Homicídios em investigação sobre fim de semana que terminou com nove mortos; um dia antes, PM foi baleado e morreu após troca de tiros na comunidade

Militar prestou depoimento na Delegacia de Homicídios de Niterói
Militar prestou depoimento na Delegacia de Homicídios de Niterói Leandro Sant'Anna/CNN

Pedro DuranAna Lícia Soaresda CNN

no Rio de Janeiro

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Um dos policiais que admitiu ter efetuado disparos na ação do Batalhão de Operações Especiais (Bope), que resultou em nove mortes na comunidade do Salgueiro, na região metropolitana do Rio de Janeiro, disse à CNN que “o Bope sempre trabalha na legalidade”. O agente foi questionado sobre a operação ao deixar a Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá, nesta segunda-feira (29).

O policial, que preferiu não revelar a identidade, foi o primeiro dos oito agentes que serão ouvidos ao longo desta semana. O depoimento começou por volta das 16h30 e levou mais de três horas. Ele chegou ao local em um carro da corporação, vestido com a farda camuflada do Bope e usando balaclava – capuz que tem como objetivo garantir a proteção da cabeça e do pescoço.

Também nesta segunda, promotores da Auditoria Militar do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) ouviram cinco policiais no inquérito investigatório que apura eventual crime militar durante a operação. Até o fim da semana, os outros três policiais que declararam ter feito disparos serão ouvidos. Além deles, o comandante do batalhão foi chamado pelo MP.

A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) enviou ofício ao Ministério Público Federal (MPF) e ao MPRJ, na última semana, para que cobrem explicações dos envolvidos na ação policial. É que uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) proíbe a realização de operações em comunidades do Rio durante a pandemia da Covid-19, exceto em casos excepcionais.

Em entrevista à CNN Rádio na segunda-feira (22), o tenente-coronel Ivan Blaz disse que o Conjunto de Favelas do Salgueiro começou a ser ocupado “para impedir roubo de cargas e veículos por marginais”, mas, de acordo com ele, “houve confronto e resistência à presença policial” e o BOPE foi acionado.

O relatório interno do BOPE admite que os agentes foram acionados para a operação na comunidade após a morte do sargento Leandro Rumbelsperger da Silva. O dado aparece no campo “justificativa da absoluta excepcionalidade da operação”.

Oito corpos dos nove suspeitos que morreram na operação foram retirados de um manguezal por moradores um dia após a operação. Segundo as investigações, quatro dos mortos não tinham antecedentes criminais e um era menor de idade.

Devido à ação, 501 pessoas não conseguiram fazer a primeira prova do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) informou que vai analisar a situação de cada aluno que perdeu a prova. Os próximos exames serão aplicados nos dias 9 e 16 de janeiro de 2022.

As armas dos policiais envolvidos na operação foram entregues, na quarta-feira (24), à Delegacia de Homicídios, para a realização de perícia.

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