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    Ocupação desordenada contribuiu com tragédia de Petrópolis, diz meteorologista

    Em entrevista à CNN, Giovanni Dolif também alertou para as consequências das mudanças climáticas no planeta

    Ludmila CandalVinícius Tadeuda CNN

    A combinação do planeta cada vez mais aquecido com a ocupação desordenada do solo pode ter sido a causa da tragédia de Petrópolis, que resultou em dezenas de mortes e destruição por toda a cidade em decorrência das fortes chuvas. Essa é avaliação do meteorologista Giovanni Dolif, que concedeu entrevista à CNN nesta quarta-feira (16).

    O pesquisador do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) considerou que “o planeta em aquecimento gera uma quantidade mais frequente de extremos, e esses extremos têm mais amplitude”. Dolif avalia a soma desse fenômeno com a ocupação desordenada “tem nos colocado em situação de risco”.

    De acordo com o meteorologista, a região Sudeste concentra o maior número de pessoas em situação de vulnerabilidade com relação aos riscos de enchentes. Além das grandes aglomerações urbanas, a geografia com relevo acidentado torna a possibilidade de desastres mais elevada.

    “É uma região que tem essa combinação de um grande número de pessoas em áreas com essa declividade e suscetíveis à ocorrência desses deslizamentos”, considerou.

    Dolif explicou que, mesmo com uma ampla rede de sensores medindo parâmetros de chuvas pelo país, ainda é um desafio prever com exatidão a quantidade de água que irá descer. “Não conseguimos fazer a previsão de um evento tão intenso com dias de antecedência”, disse.

    “Realmente é um desafio muito grande para a meteorologia prever esses eventos muito intensos e muito pontuais”, afirmou o meteorologista.

    Segundo Dolif, é possível prever que haverá chuva na região serrana do Rio, no entanto, não é possível afirmar se será uma chuva típica de verão ou se acumulará mais de 200 mm de água como foi o caso das tempestades em Petrópolis.

    “Então é possível qualificar que vai ser uma chuva forte, mas ainda há dificuldade de quantificar o quão forte essa chuva vai ser”, explicou.

    O meteorologista alertou para “chance de novos temporais”, e avaliou que a chegada de uma frente fria pode intensificar as chuvas. “A exata quantidade de chuva e o ponto onde vai acontecer ainda é um desafio para a meteorologia e para a ciência, e precisamos continuar avançando e investindo nesse sentido”, reforçou Dolif.

    Veja imagens do impacto das chuvas em Petrópolis