Petrópolis tem previsão de chuva forte neste fim de semana

Há riscos de deslizamentos e alagamentos, diz Inmet

Cleber RodriguesArtur NicoceliDuda CambraiaIuri Corsinida CNN*

em Petrópolis, Rio de Janeiro

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As buscas por vítimas da tragédia de Petrópolis – que já deixou mais de 130 mortos e conta com ao menos 200 desaparecidos – deve encarar uma previsão do tempo desfavorável neste sábado (19).

Isso porque, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), chuvas fortes entre 60 e 100 milímetros estão previstas para cair na região ao longo do dia. As temperaturas variam entre a mínima de 16ºC e a máxima de 24ºC.

Isso significa, segundo o alerta do Inmet, “grande risco de grandes alagamentos e transbordamentos de rios, grandes deslizamentos de encostas, em cidades com tais áreas de risco”, como o município de Petrópolis, onde já chove há pelo menos quatro dias.

“Essa chuva em Petrópolis não deve cessar e deve continuar até pelo menos segunda-feira, com risco de chuvas intensas”, alertou o chefe de meteorologia do Inmet, Francisco de Assis, que continuou: “mesmo que as chuvas sejam de 30 a 40 mm por dia, elas podem causar muitos transtornos, pois o solo ainda está muito úmido na região”, pontuou.

Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), em sua previsão de riscos geo-hidrológicos para este sábado, “permanece muito alta a possibilidade de ocorrência de eventos de movimentos de massa na Região Serrana do Rio de Janeiro, especialmente em Petrópolis, devido aos elevados acumulados de precipitação nas últimas 72 horas e nas últimas semanas”.

Ainda de acordo com o Cemaden, devido à continuidade de chuva, é considerada alta a possibilidade de novas ocorrências de inundações e enxurradas principalmente nos rios São Francisco, mas também na Região Serrana do Rio, centro, norte, Noroeste e Baixada Fluminense do estado, bem como no Norte de Minas e Zona da Mata mineira.

A cidade ainda está marcada pela paisagem da tragédia: nas ruas, carros continuam empilhados; nos cerca de 30 locais de busca ativos, familiares chegam a todo o momento procurando por informações de parentes, amigos e conhecidos ainda desaparecidos.

O coordenador do Cemaden, o meteorologista Marcelo Seluchi, afirmou à CNN que a chuva em Petrópolis na terça-feira (15) foi a maior registrada na história da cidade. Os registros começaram a ser feitos em 1932.

Em apenas seis horas foram registrados 260mm de chuva – a maior parte, 230mm, em três horas. Isso era mais do que o esperado para o mês inteiro para a cidade. Os danos são maiores porque a tempestade foi muito intensa e concentrada no Centro da cidade.

À CNN, Leandro Monteiro, secretário Estadual de Defesa Civil e Comandante do Corpo de Bombeiros, afirmou que a operação do Corpo de Bombeiros em Petrópolis vai atravessar a próxima semana, deve continuar no carnaval e provavelmente não termina em fevereiro.

A última pessoa que foi encontrada com vida, no entanto, foi resgatada na quarta-feira (15) por volta das 14h, 20 horas depois do início das chuvas. “O bombeiro busca vítimas vivas. O tempo passa, a dificuldade aumenta de buscar vítimas vivas, mas o bombeiro acredita em encontrar ainda desaparecidos vivos, vítimas vivas”, afirmou.

Chuvas nos próximos dias

Em entrevista à CNN, Carine Gama, meteorologista do Climatempo, informou que haverá chuva até terça-feira na Serra do Fluminense e na zona da mata mineira. Porém, “ao invés de 260 milímetros como ocorreu no desastre de Petrópolis, a média diária deve ser entre 60 e 100 milímetros”.

Ela explica que as chuvas ocorrem no local devido à uma formação de um vórtice e pelas zonas serem de convergência, “o que intensifica o volume pluviométrico”. Carine destaca que ainda é possível que ocorra transbordamento de córregos e deslizamento de terras.

“Eu acredito que se tivéssemos uma gestão pública melhor e uma tecnologia mais avançada, os números de óbitos e desaparecidos em Petrópolis seria menor”, comenta Carine. “Mas, como solução, qualquer mudança feita para minimizar o CO2 na atmosfera já ajuda nesse cenário de mudança climática”.

*Com informações de Giovanna Galvani e Pedro Duran, da CNN

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