Prefeitura e Governo do estado se reúnem para decidir sobre Réveillon no Rio

Governador do estado diz que só haverá definição sobre o tema após encontro entre representantes

Milhares se reuniram na Praia de Copacabana para comemorar o ano de 2019
Milhares se reuniram na Praia de Copacabana para comemorar o ano de 2019 Alexandre Macieira/Riotur

Helena VieiraLucas Janoneda CNN

Rio de Janeiro

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Ainda nesta semana, os comitês científicos do estado e da prefeitura do Rio de Janeiro se reúnem para tomar uma decisão sobre a realização do Réveillon na capital.

Depois de o prefeito Eduardo Paes anunciar, no último sábado (4), o cancelamento da festa, o governador Claudio Castro, em suas redes sociais, informou que a decisão ainda não está tomada e que ele, o prefeito e os técnicos do estado e da prefeitura se reunirão para definir sobre o assunto.

A justificativa do prefeito para cancelar os festejos do Ano Novo foi o respeito à ciência e à decisão do comitê científico do estado.

“A razão da minha decisão é a manifestação do comitê científico do governo do estado, que é diferente daquilo que o governador vinha me dizendo. É óbvio, o governador também não é cientista. Assim como eu, ele não controla o comitê científico dele, o que pensam os da ciência, até porque é difícil. Você vai ficar contestando alguém que estudou a vida inteira pra aquilo?”, declarou.

O vice-Presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Marco Krieger, afirmou à CNN neste domingo (5), que a decisão de cancelar a festa de réveillon na cidade do Rio de Janeiro foi a ‘mais prudente’ no momento.

“No momento, [cancelar a festa de réveillon no Rio] é a decisão mais prudente a se fazer. A precaução deve ser mais pela nova variante. A cobertura vacinal no Brasil já está avançada, por isso, o cancelamento de evento de grandes dimensões neste cenário é o mais prudente por conta da nova mutação do coronavírus. Não sabemos muito ainda sobre essa nova variante”, disse Krieger à CNN.

A cidade descartou um caso suspeito de Ômicron, nesta sexta-feira (3), após análise da Fiocruz. Dessa forma, nenhuma contaminação pela nova variante foi constatada na capital fluminense até o momento.

Segundo o Ministério da Saúde, são seis casos confirmados da mutação no Brasil, sendo três em São Paulo, dois no Distrito Federal e um no Rio Grande do Sul.

Com medo de uma nova onda de Covid-19 no país, pelo menos 23 capitais brasileiras e o Distrito Federal decidiram cancelar a festa de fim de ano. Entre eles estão São Paulo, Recife e agora a cidade do Rio de Janeiro.

Queima de fogos na praia de Copacabana em 2019 / Richard Santos/Riotur

Setor de turismo diverge sobre realização da festa

Sindicatos e associações dos setores de bares e restaurantes discordam do cancelamento das festas de Reveillon. O presidente do Sindicato dos Bares e Restaurantes do Rio de Janeiro (SindRio), Fernando Blower, viu a notícia com preocupação.

“Certamente, esta medida vai gerar impactos no faturamento do setor gastronômico. Outro impacto será nas contratações temporárias e geração de empregos”, declarou.

O presidente do Sindicato dos Meios de Hospedagem do Município do Rio (Hotéis Rio), Alfredo Lopes, lamentou a decisão, mas falou sobre a importância de acatá-la.

“Entendemos que é um momento difícil e, já que o comitê científico recomendou, nós precisamos acatar. No ano passado, já não teve Réveillon e a cidade do Rio de Janeiro chegou a cerca de 80% de ocupação. Vamos torcer para que as reservas se mantenham e vamos em frente. Ano que vem, teremos um Réveillon espetacular”.

Já a Federação do Comércio do Rio de Janeiro (Fecomércio) apoiou a medida e disse estar convicta de estar “plantando a segurança de curto e médio prazo.” O presidente da entidade, Antônio Florêncio Queiroz, declarou que iniciará imediatamente uma campanha para esclarecer a importância das medidas.

Realização do Carnaval

Com o possível cancelamento do Réveillon e o avanço da variante Ômicron, o setor de turismo também se preocupa com a realização do carnaval, um dos eventos mais importantes para a econômica fluminense durante o ano.

Segundo o último estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), o carnaval do Rio de Janeiro é responsável pela geração de 36 mil empregos diretos e indiretos apenas nos cinco dias de desfiles no Sambódromo.

A festa injeta mais de R$ 2,2 bilhões na economia da cidade do Rio de Janeiro. Até o momento, mais de 500 blocos estão inscritos para desfilar nas ruas da cidade, durante o Carnaval.

*com informações de Elis Barreto

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